A sexta-feira 13 dos espanhóis

Em pleno calor da disputa (no sentido que se quiser) que se desenrola no Brasil, tentando atrair algum leitor nestes dias tão conturbados em que poucos devem estar lendo alguma coisa que não seja sobre a Copa do Mundo, resolví aderir e discorrer sobre a “FIFA World Cup” vista pelas câmeras do Tio Sam – mais especificamente pelas lentes da ESPN

Quanto à cerimônia de abertura na quinta-feira, o assunto me parece ter sido esgotado – piedosamente ou não – pelo pessoal da Internet.

Do jogo inaugural do Brasil contra a Croácia, com aquele emocionante hino nacional a cappella, as falhas técnicas, os conselhos da torcida à Dilma, a garra de Oscar e David Luiz, o desempenho redentor de Marcelo, o nosso moleque Neymar, o pênalti no Fred – com o que concordei, porque alguém deveria ter avisado aquele nosso amigo beque croata que abraço no centro-avante é coisa de celebração de gol – e a gostosa vitória, também já se disse tudo.

Sobrou a sexta-feira – e que sexta! – em pleno dia de Santo Antonio…

No Arena das Dunas, Natal, em clima de chuva, suor e cerveja – que faturar é preciso, mostrar balanço é lá com a Bolsa de Valores! – os baixinhos pesos-pena mexicanos, que tinham “Guardado” e não o mostraram até o final do jogo, insistiam em fazer gol nos gigantes camaroneses e os árbitros teimavam em anular.

O México, jogando jogo rasteiro e cheio de rasteira – e também apanhando muito! -acabou vencendo Camarões, num rebote oportunista e indefensável de Peralta, que nem aquele bandeirinha conseguiu invalidar.

Enfim, um jogo duro de jogar e de assistir…

No Arena Pantanal, em “Cuiaba”, a seleção australiana sofreu com a dobradinha Sanches & Valdívia, e os chilenos – jogando um pouco com os pés e um pouco com as mãos – colocaram os “aussies” na rodinha durante todo o primeiro tempo.

No segundo, todo mundo cansou, incluindo os que assistiam, e deu a lógica, ou seja, a vitória chilena por 3 a 1…

Agora, o que ficará para sempre na história das copas e das sextas-feiras 13 foi a “Holanda-do-carrossel”  reencarnada vingar o touro contra os espanhóis, ou melhor, a final de 2010 na África do Sul, quando os holandeses perderam por um a zero na prorrogação.

No Arena Ponte Nova, em Salvador, o estilo “toureiro fidalgo” da favorita a levar a taça sucumbiu ao jogo bruto e eficaz do “vingativo touro”…

Numa batalha em que valeu até cotovelada do holandês Guzmán no fígado do espanhol Alonzo e cabeçada do espanhol Diego Costa no holandês Bruno Martins Indi , a Espanha parecia jogar com medo e cometia erros primários, muito bem aproveitados pelo algoz.

Mesmo assim, dominou a maior parte do primeiro tempo, marcando o primeiro gol num pênalti discutível em Diego Costa aos 26 minutos.

A partir daí, o time holandês – que de ‘loirinho” só tinha o goleiro Jasper Cillessen – assumiu o controle da corrida de toros, protagonizada pelo incansável “vovô” de 30 anos Robben e seu contemporâneo parceiro Van Persie, energizado como um garoto de 20 anos…

Jogo de se assistir suspenso no ar até o ultimo segundo, tamanha a imensa vontade de jogar futebol de ambos os lados!

O time espanhol errou mais e o holandês soube usar melhor as falhas do adversário.

Como um simples admirador pretensioso de futebol, eu acho que isso foi o que causou a goleada naquele jogo com jeito de final, onde a vitória ou a derrota quase sempre dependem mais dos erros do que dos acertos – eis que a capacidade dos times que se qualificam e a vontade de vencer são as mesmas! – e da bola querer entrar.

Em todo caso, se eu fosse torcedor espanhol, teria sugerido que tivessem deixado o Diego Costa vestindo uma camiseta do Brasil na arquibancada – inspirados pela decisão duvidosa do Felipão em relação ao Kaká….

Talvez não tivessem atraído a ira dos orixás na Bahia-de-todos-os-santos!

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