SENHORES SENADORES

Senado revogou a suspensão de Aécio Neves, deputados absolvem Michel Temer e
o Supremo se prepara para facilitar a vida dos condenados em segunda
instância. Representantes do povo ou de seus próprios interesses?
Parlamentares ou contraventores? Senador vem da latina senior, que significa
mais velho. Não conota idade provecta, mas condição respeitável. Os mais
velhos mereciam respeito nas tribos primitivas por causa da sua experiência,
o que os tornava capazes de aconselhar os mais jovens – seu dever era evitar
que as gerações inexperientes respeitassem os erros deles. O Senado romano
reunia os patrocínios mais respeitáveis para conduzir os negócios
republicanos, ou seja, da coisa pública. Nas democracias de poder tripartite
e representação bicameral, como pretende ser a nossa, os senadores são
representantes das unidades federativas, os Estados. Misturam-se, no modelo
imitado do sistema bicameral adotado pelos países fundadores da revolução
Americana, o mando romano e a estirpe nobre dos barões britânicos. Pode-se
argumentar que, já entre os romanos, nem sempre a respeitabilidade era
sinônimo de superioridade, como o demonstram conspirações, caso da que
terminou por abater Júlio César sob a estátua de Pompeu, á entrada do
edifício onde se reuniam os senadores, freqüentando por serpentes afiadoras
de punhais. E que o sangue azul dos lordes ingleses não garante sua nobreza
de atitudes, não sendo a Câmara de Lordes, assim como o Senado americano, um
convento habilitado por freirinhas virtuosas. Isso não quer dizer, contudo,
que a lenda segundo a qual não existe pecado no lado de baixo da linha do
Equador, corrente desde a Renascença, permita um acréscimo de letras capaz
de transformar o que não é convento num conventículo, sinônimo pouco
empregado de prostíbulo. A imagem é pesada demais, é certo, mas a verdade é
que, os senadores no Brasil contemporâneo têm abusado demais da paciência
dos cidadãos que lhes sustentam os luxos e caprichos sem receber em troca o
exemplo de decência e austeridade que de todos eles é lícito esperar.
Fisiologistas e covardes. Nossos Senadores na sua maioria não representam
senioridade e sapiência, representam uma casta de aproveitadores que nos
envergonham com conversas e propostas eleitoreiras, se auto preservando como
na Mafia italiana. Carlos Henrique Pellegrini é professor universitário e
Diretor de Gestão Empresarial e de Sucessão Familiar da Maxirecur
Consulting, pellegrini@maxirecur.com.br

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