Quem quer faz

Todos sabem que a educação no Brasil está um desastre. Nada obstante seja indiscutível que ela é o maior problema brasileiro, continuamos a tatear em uma absoluta ausência de estratégias exitosas. Não é falta de verba. É o seu mau emprego. É a desvalorização da carreira de professor, não só pelos salários, mas ainda pela falta de respeito que não sensibiliza os pais. 

Houve tempos em que o mestre era uma autoridade. Hoje, é um ser ameaçado de exoneração ou, mais ainda, temeroso de apanhar dos alunos. Ou de seus pais, porque estes pensam que por pagarem a escola, são patrões dos professores.

Mesmo assim, há quem resista. E o faz heroicamente. Um deles é Braz Rodrigues Nogueira, que consertou uma realidade em Heliópolis. É diretor da Escola Municipal “Presidente Campos Salles”, em São Paulo. Chegou lá em 1995 e encontrou a violência disseminada. A praça diante da escola era mercado de drogas e cenário de estupros. Havia agressões físicas entre alunos todos os dias. Em 1999, uma aluna foi assassinada. Foi aí que o professor Braz iniciou caminhadas pela paz nas ruas e investiu num programa de aproximação do colégio com a vizinhança. 

Trouxe os pais para discutir melhorias. Eles começaram a se interessar pela escola. Em 2002, houve um furto de 21 computadores. Alertou a vizinhança e eles foram devolvidos. Em 2010, inaugurou o Centro de Convivência Educativa e Cultural de Heliópolis. 

Foi um homem só que, a partir de um sonho, conseguiu motivar a comunidade. Isso pode fazer a diferença. Por que há escolas em bairros pobres que não são pichadas,  há um clima de camaradagem, as pessoas são mais felizes do que em outras regiões semelhantes? É a vontade de diretores ou professores que ainda acreditam em sua missão. Claro que ninguém é inocente nessa questão educacional brasileira. Estado, sociedade, família e indivíduos têm responsabilidade. 

Mas o exemplo de Braz Rodrigues Nogueira evidencia que a maior receita é a vontade. Quem quer faz a diferença. Quem não quer, continue a lamentar e a esperar que ocorram milagres. Pois só milagre para salvar a política pública da educação brasileira. 

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