PARTIDOS, QUANTO PIOR, MELHOR

Ingênuo é quem pensa que a Operação Lava Jato já revelou tudo quanto
havia de podre na política nacional e que nada o surpreenderá mais. O que
acontece todos os dias mostra que a caixinha de Pandora ainda pode revelar
coisas que antigamente se chamavam do arco da velha. Além do PT, PMDB e
PSDB, partidos como PCdoB, PDT, PP, PRB e PROS concorrem ao Prêmio “Quanto
Pior, Melhor”. A começar pelas origens. O primeiro resulta de uma
dissidência radical do Partido Comunista Brasileiro. Antes seguia a linha
chinesa e agora, pasmem a albanesa … “Partidão velho de guerra”! O segundo
foi fundado por Leonel Brizola para gerir a herança do “socialismo moreno”
populista de Getúlio Vargas. Brizola deve rodopiar no caixão diuturnamente.
O PP foi fundado e controlado por Paulo Maluf, antigo ícone da corrupção na
política profissional, mas que hoje se jacta de não ter sido citado na
Operação Lava Jato. O PRB é o braço político da Igreja Universal do Reino de
Deus, do bispo Edir Macedo – pelo menos há um profeta em suas fileiras. O
PROS é o melhor exemplo do resultado da facilidade com que qualquer grupelho
obtém autorização da Justiça Eleitoral para funcionar. É difícil saber o que
é mais sórdido: a desfaçatez com que se criam partidos sem identidade ou
ideologia, ou as tentativas de reforma política. Agora há pouco veio a lume
a “terrível” pena do publicitário João Santana e sua mulher Mônica Moura,
espécie de tesoureiros informais da campanha de Dilma e Temer em 2014, que
usarão tornozeleira eletrônica e prestarão serviços a comunidade até 2019.
Santana foi também uma espécie de espírito santo de orelha, confessor,
filósofo de cabeceira e conselheiro sentimental de Dilma em suas campanhas
vitoriosas, o que reforça o peso de sua delação premiada na Lava Jato, disse
que o uso de caixa 2 na campanha eleitoral da gerentona malvada de Lula em
2014 reforçou sua percepção de que os políticos brasileiros sofrem de
“amnésia moral”. Mais do que isso, o que não pode passar despercebido na
engenhosa narrativa é o movimento sub-reptício de transformar a corrupção
numa espécie de tradição cultural brasileira, para tombá-la judicialmente e
evitar a punição dos que caíram em tentação. Do ponto de vista penal, é o
mesmo que inocentar o goleiro Bruno do assassínio da mãe de seu filho, Eliza
Samudio, porque ele apenas teria imitado o exemplo de Caim, que matou o
irmão Abel.

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