Não somos só nós

A educação é o que de mais importante existe para ocupar todas as pessoas lúcidas. Não por acaso, a Constituição da República declara que ela é responsabilidade do Estado e da sociedade. Ninguém está dispensado de participar de seus rumos e de contribuir para aprimorá-la.

Embora estejamos num ranking extremamente frágil no confronto com outros países, não somos só nós, brasileiros, que temos nosso calcanhar de Aquiles. A nação mais poderosa do planeta, os Estados Unidos da América, há alguns anos, apuraram que os fundamentos educacionais de sua sociedade estavam sendo erodidos por uma crescente mediocridade que ameaçava o seu futuro como Nação e como povo.

Os danos eram tão intensos e tão extensivos que a nação estava em severa desvantagem no mundo do mercado. País símbolo do capitalismo, a preocupação era maior porque a deficiência educacional poderia limitar o futuro da economia e da produtividade americana.

A diferença entre Estados Unidos e Brasil é que lá existe uma consciência que sensibiliza todas as pessoas, instituições, entidades e grupos. Aqui, na terra do “Estado-Babá“, a responsabilidade é toda do governo. Lá, todas as lideranças juntaram forças para articular uma nova agenda para a educação pública. Algo que já construiu consenso foi o entendimento de que as relações entre as escolas e a força de trabalho é fundamental. A escola tem obrigação de preparar os estudantes para o mundo do trabalho.

E o mundo do trabalho nunca foi tão variado, multiforme e desafiador. Infelizmente, o Brasil não leva muito a sério a técnica e ainda raciocina em termos de “doutor”. Daí a inundação de bacharéis em direito, ávidos todos por vencer na vida a disputar um concurso para carreira jurídica ou para inflar o Judiciário de processos inócuos e que não deixam a Justiça funcionar.

Nos Estados Unidos, acreditou-se que a educação é a fórmula de inclusão social, não a concessão de benefícios materiais, bolsas e outros auxílios que só constroem dependência. Um currículo comum para crianças de todas as situações sociais e econômicas é a receita para a edificação de uma pátria solidária. Está demorando para que essa consciência chegue também aqui.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 28/02/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail:imprensanalini@gmail.com.

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