GREVE DOS CAMINHONEIROS

Isso que eu chamo de Desgoverno Federal do Brasil. Inicialmente com apoio do
povo, mesmo com as conseqüências previsíveis, os caminhoneiros fizeram
cumprir o velho slogan: “Sem caminhão o Brasil pára”. O Brasil é o país que
tem a maior concentração rodoviária de transporte de cargas e passageiros
entre as principais economias mundiais. Cerca de 58% do transporte no país é
feito por rodovias. A malha rodoviária é utilizada para o escoamento de 75%
da produção no país, seguida da marítima (9,2%), aérea (5,8%), ferroviária
(5,4%), cabotagem (3%) e hidroviária (0,7%), de acordo com pesquisa da
Fundação Dom Cabral. É por isso que a greve de caminhoneiros parou o país e
provocou uma enorme crise de abastecimento. O pleito dos caminhoneiros é
justo, mas saiu de controle das lideranças do setor, assim sendo, o caos
tomou conta do Brasil. Depois de muito, um apático Michel Temer deu as caras
e tomou algum tipo de providencias. Enfraquecido, boicotado por todos,
inclusive pela a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que não o
alertou sobre tal risco eminente, Temer mostra-se perdido. Em 2014 votamos
no poste Dilma e em seu vice, o inerte Michel, julgo que não seria diferente
caso o malandro Aécio levasse o pleito. Ao anunciar o plano de segurança
para desbloquear as estradas, com ajuda dos Estados, o presidente Temer
disse que o governo não permitiria “que a população ficasse sem os gêneros
de primeira necessidade, que os hospitais fiquem sem insumos para salvar
vidas e crianças fiquem sem escolas”. Tudo deveria ter sido feito antes,
quando ficou claro que o movimento estava fora de controle. Nesse sentido, o
governo demonstrou lentidão excessiva para reagir à greve, permitindo que o
movimento ganhasse força, a ponto de julgar-se em condições de chantagear
toda a sociedade e de ignorar o acordo. Também é o caso de perguntar o que
fazia esse tempo todo o ministro de Minas e Energia, o Angorá, Moreira
Franco, além de dar palpites demagógicos sobre a política de preços da
Petrobrás. Ou então os governadores, que preferiram lavar as mãos apesar de
serem parte considerável do problema, porque o maior peso tributário sobre o
diesel é estadual. No meio de todo esse emaranhado de irresponsabilidades e
omissões ficaram os brasileiros comuns, que estão há dias enfrentando um
pesadelo. Um cenário como esse é característico de um país em guerra e sem
governo.

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