DILÚVIOS E DESERTOS

As mudanças climáticas são cada vez mais aparentes. Provocadas pelos padrões
exacerbados de consumo e pelas emissões de gases efeito estufa, vem
transformando o planeta. Morre-se afogado e de sede ao mesmo tempo. O sul do
País, em especial o Rio Grande do Sul, vem sendo castigado por chuvas
torrenciais. As tradicionais imagens do apocalipse do verão estão de volta,
mas dessa vez em pleno inverno. No momento que sofreríamos pela seca, lá
estão morrendo afogados. Já no Sudeste, em especial no estado de São Paulo,
os rios minguaram, as represas secaram e a terra árida aniquila plantações
inteiras provocando prejuízos incalculáveis. Absurdamente o Governador
Geraldo Alckmin, insiste em dizer que não haverá racionamento de água e que
sua distribuição está garantindo até setembro. Completa que precisamos de
chuvas a partir dai. Parece que o governador do estado, visivelmente mal
apoiado e sem planejamento, destruiu o Sistema Cantareira de Abastecimento e
agora apela a Deus. Anualmente assistimos tragédias climáticas, como a
avalanche de pedras ocorrida há 3 anos na região serrana do Rio de Janeiro.
Na ocasião, provocada por chuvas torrenciais, contabilizamos mais de 1000
mortes e um número incalculável de desabrigados. O bom e velho “Chapolin
Colorado” diria; “Eu não te disse?” Avisar não é o bastante. As defesas
civis das áreas afetadas são despreparadas para tamanha emergência. O
governos Federal, Estadual e Municipal devem criar planos de contingências e
políticas sustentáveis de médio e longo prazo. Na verdade, sem macro
políticas públicas que regulem questões dramáticas como da ocupação urbana e
rural, continuaremos a assistir simultaneamente mortes por afogamento e pela
seca. Esse é o retrato da incompetência e irresponsabilidade do poder
público em gerir a ocupação organizada e sustentável. Como situações tão
dramáticas e antagônicas podem estar ocorrendo? Nossa civilização necessita
de projetos de ocupação que inibam a formação de aglomerados sem
sustentabilidade. Nossos representantes devem criar políticas públicas
sustentáveis, principalmente com a redução no consumo. Impossível? Espero
que não, caso contrário a situação a cada dia poderá piorar construindo
autênticos infernos urbanos que irão do deserto a inundação no mesmo dia.
Outras civilização desapareceram por questões muito próximas a essas, como
por exemplo, os Maias.

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