RENOVEM A POLÍTICA NACIONAL

A política, os políticos e os partidos são bases de uma democracia madura.
Com 35 partidos registrados no Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) que
ideologia podem conter? Quantos desses partidos são de aluguel a serviço
das raposas e coronéis que dilapidam o Brasil no âmbito municipal, estadual
e federal? E os políticos, como se encaixam nesse emaranhado de agremiações?
Definitivamente está provado que uma urgente reforma política se faz
necessária. Quem promove a tal reforma política? Os políticos, quando bem
cobrados pelo povo, só que no Brasil o povo se abstém. Os grandes movimentos
e concentrações populares de 2015 que culminou no empeachment de Dilma
Rousseff, só aconteceram, pois estávamos num precipício. Sem cobrança, os
políticos profissionais se proliferam sórdidos e como ratazanas destroem
nossa jovem e imatura democracia. Uma das vantagens da falta de vergonha na
cara de quase todos nossos políticos é que rende muito assunto para jornais
e rodinhas. Já a moral deles, hoje em concordata, é temporária e segue a
passos largos para falência definitiva. Por que o exagero de se falar em
crime eleitoral nos casos de “caixa dois”. Qual a diferença entre enviar
recursos por transferências interbancárias ou por meio de dólares em
mochilas e cuecas? A maior parte de nossos atuais políticos são ratazanas
devoradoras do erário por meio das mais diversificadas maracutaias
praticadas em amplos setores do serviço público, desvios de verbas,
licitações fraudulentas, “avanços” em recursos de estatais, falcatruas com
fundos de pensão, propinas. Quem está preocupado com tudo isso? Mas uma
propinazinha aqui, um dinheirinho por baixo do pano ali, um subornozinho
discreto, uma falsificaçãozinha que ninguém percebe acolá – sem ser coisa
exagerada, que prejudique muito os outros – não poderá melhorar a vida de
tanta gente? Em verdade, a sonolência dos brasileiros conspira para esse
estado de caos. Julgo que dificilmente conseguiremos reverter à situação da
política nacional, sem substituir nossos atuais representantes por outros
novos e inexperientes e que certamente nos trarão outros tipos de problemas.
Dessa forma, sem convívio com os professores do crime, repudiando os
servidores acostumados com as atuais marucutaias, bem vigiados pelo povo,
teremos uma chance. No dia 04 de outubro votem em propostas novas de
personagens novos. Saquem da política as velhas ratazanas.

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CASA DA MÃE JOANA

Em quase 129 anos de República vivemos alternadamente períodos de democracia
e autoritarismo, de maior ou menor autonomia dos Estados no modelo
federativo. Com a Constituição de 1988, o País completou o amplo e vigoroso
movimento pelo fim da ditadura militar e pela redemocratização, alavancado
pela campanha das Diretas-Já e vitorioso na memorável eleição de
Tancredo Neves. Desde então, temos assistido a um permanente processo de
consolidação das instituições, numa clara demonstração de que superamos de
vez alguns fantasmas do passado e ingressamos definitivamente no campo das
nações politicamente desenvolvidas e civilizadas. Vencida essa etapa,
impõe-se agora um período de aplicação firme de nossa Lei Maior, mas com o
Supremo Tribunal Federal (STF), não dá. Cada dia vemos o STF rasgando a
Constituição, “com teses totalmente antagônicas ferindo a lógica jurídica”.
Vivemos um momento especial, com corrupção sistêmica arrebatando todos os
poderes, inclusive o judiciário. Precisamos estancar o crime, mas como o
fazer se o STF parece um balcão de negócios políticos? Parecem querer
instituir o quarto poder agindo como uma espécie de Poder Moderador e não
como guardião da Constituição. Com claras decisões políticas para beneficiar
pares, assisto a Corte Maior operar por interesses. Uma prova foi à
pantomima mal ensaiada do julgamento do habeas corpus (HC) da defesa do
ex-presidente Lula. Todos têm direito a um HC, mas cortando a frente de
outros, dissimulando com teses que não justificam decisões? Curioso foi
assistir, depois de anunciado intervalo em tal sessão, por volta das
15:50hs, o ministro Gilmar Mendes deixar o plenário da Corte e sair de
carro, segundo informa o portal G1. Até a retomada da sessão, às 16:45hs, o
ministro ainda não havia retornado. Por volta das 17hs, quando ao menos dois
ministros já haviam proferido voto, Gilmar Mendes voltou ao plenário. Além
de tudo, com um intervalo que deveria ser de 15 min, transformou-se sem
explicação em cerca de 55min, daí interrompem a seção por uma absurda viagem
do Ministro Marco Antonio Mello ao Rio de Janeiro, para retomarem a seção
quase 15 dias depois. Teatro que envergonha a nação, envergonha os patriotas
servidores do Poder Judiciário que agem de boa fé e com afinco. Ainda creio
na justiça, creio no Brasil e sei que ainda seremos felizes e a justiça
imperará.

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APENAS UM BANDIDO

O terceiro milênio da era Cristã está sendo marcado por exageros e fatos
inusitados que no passado, aparentemente, ocorriam em volume e
intensidades menores. Catástrofes naturais, guerras, tráfico, terrorismo,
extinção de espécies. Desilusões e medos invadem nossos lares por todos os
meios de comunicação. Nosso País, tido no mundo como a grande esperança de
desenvolvimento e prosperidade vem passando por momentos terríveis. Temos
uma crise econômica, política e moral. O sucesso de uma nação é do tamanho
da cultura de seu povo. O Brasil é um País jovem que nunca investiu na
educação o tanto que deveria. Para os rábulas da política, “povo burro é
povo interessante”. Trocar uma miserável sobrevivência por votos, sempre foi
prática nacional. O Brasil só se destaca no cenário mundial apoiado em seus
diferenciais naturais como; extensão territorial, ricas reservas minerais,
insolação, pluviometria, agronegócio pungente, único idioma, dentre outros.
Como traduzir essa vantagem em esperança, conforto, segurança e alegria ao
nosso povo tão sofrido? A resposta parte da execração dos crápulas da
política e de preferência os colocando na cadeia. Nosso voto vale mais que
qualquer sentença judicial. Lembram da indústria da seca? Pois é, existem
outras formas de se explorar a desgraça de muitos a favor do enriquecimento
de poucos. Falamos por exemplo da indústria da influência política, dos
amigos do poder. Elegemos e convivemos com marginais. Falando apenas no caso
do dia, Lula, como explicar esse vexame? Não entremos na questão do
veredicto do julgamento de segunda instância do chamado processo do triplex.
Como entender no que se transformou esse sujeito? Transformou-se ou sempre
foi um bandido disfarçado? Nem sombra do líder sindical e baluarte da
democracia, investigado com evidências claras de todo tipos de maracutaias,
dentre as quais, corrupção, tráfico de influência, enriquecimento ilícito.
Manchou sua história, e provavelmente será lembrado como mais um ladrão na
política, anedota de boteco, sinônimo de contravenção. No final do ano
teremos eleições majoritárias e será fundamental votar e trocar todos
suspeitos que vivem na política, personificar o controle e a cobrança, criar
uma nova realidade. Temos uma grande oportunidade de criar as bases para o
tão esperado Brasil do futuro.

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BANDIDOS DE ESTIMAÇÃO

Há muito venho debatendo o efeito devastador que más políticas educacionais
trazem a civilização. No Brasil, desde seu descobrimento, a deseducação foi
prioridade da maior parte de nossos líderes e algozes. O fato contaminou
gradualmente o tripé da formação ética e moral; família, educação e
religião, também bases do arcabouço cultural. A condenação à escuridão
intelectual que normalmente se impõe às crianças brasileiras, talvez seja a
mais cruel das penalidades, porque atinge não apenas elas próprias, como
também o País em que viverão quando se tornarem adultas. Nem o mais desumano
entre os códigos penais conseguiu a proeza de inserir em seu rol este
castigo. O fruto desse processo é uma democracia oligárquica com marginais
sempre presentes nos municípios, estados e na federação, sempre nos três
poderes. O brasileiro em média vota mal, e em candidatos que normalmente são
imagem e semelhança do que temos de pior. Mesmo as exceções, ao adentrar no
mecanismo político se contaminam. Tudo isso pode ser contestado, mas o que
leva pessoas de bem defenderem marginais? Sobram evidências que a corrupção
do Brasil é sistêmica. Falando especificamente da política, a maior parte de
seus operadores está comprometida com todos os tipos de falcatruas,
independente de partido político. Caciques históricos com Serra, Lula,
Aluizio, Temer, Sarney, Alckmin, Collor, Maluf, etc estão enrolados em suas
trapaças para si ou para manter-se no poder. Não existe democracia sem
política, e nem política sem ideologia, mas onde está escrito que precisamos
ter marginais de estimação? Não creio que todos os que gritam pela não
condenação de Lula sejam bandidos e nem que todos ali possam ganhar com o
ex-presidente livre das grades. Poderia creditar a defesa cega de Lula à
ignorância, mas alinhado a gritaria existem intelectuais, professores,
artistas, gente culta lutando contra a condenação do bandido. Não está na
hora de lutarmos juntos para extirpar a corrupção no Brasil? Para tal, sem
correr riscos, não reelejamos nenhum político em outubro. Nosso voto é mais
forte que qualquer sentença judicial. Parafraseando o historiador Leandro
Karnal, e entendendo que haverá competição entre “Lúcifer, satanases e
capetas” em 2018, podemos escolher os demônios inexperientes, dessa forma
demorarão em conhecer o caminho da corrupção, o que nos dará tempo para
impedi-los. Teremos que piorar para melhorar, mas valerá muito à pena.

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MOMENTO HISTÓRICO

Esse momento é histórico, promete ser memorável e ir para os livros. Em 2018
sobrarão pontes de feriados, haverá Copa do Mundo de Futebol, eleições
majoritárias e ainda, muitas gente importante indo para cadeia. Vamos
começar com um fato que muito pouco vem se falando, é o caso do Deputado
Federal Paulo Maluf (PP-SP) 86 anos. Baluarte do crime de colarinho branco,
Maluf é um larápio clássico que teve seu auge como governador de São Paulo
de 1979 a 1982, mas nunca se afastou da política e do furto aos cofres
públicos. Trata-se de um bandido completo, capaz de fraudar inclusive uma
recuperação judicial milionária para empresa da família. Em sua homenagem
forjou-se o jargão “malufar”, que significa roubar. M aluf foi condenado
pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e foi preso em dezembro, após a decisão
do ministro Edson Fachin, que determinou cumprimento da pena de 7 anos, 9
meses e 10 dias de prisão. Maluf em fim está preso. E por falar em ladrão,
outro nome de peso, dessa vez menos clássico e mais descarado, é o
ex-presidente, hoje pré candidato do PT a presidência da república, Luis
Inácio Lula da Silva. Condenado em julho de 2017 a nove anos e meio de
prisão, terá o julgamento de sua apelação no TRF-4 (Tribunal Regional
Federal da 4ª Região) em Porto Alegre no dia 24 de janeiro. A corte vai
analisar o chamado processo do tríplex, da Operação Lava Jato. Parece certo
que o chefão será trancafiado e também é certo que sua banca milionária de
advogados apelará a tudo que podem, lutando com unhas e dentes, mas deverá
apodrecer vivo nessa trajetória. A seleção brasileira de futebol promete
mais um grande papelão na Copa do Mundo. Enterrada em escândalos de todos os
tipos, a FIFA não possui envergadura moral para promover o evento sem
desconfianças. Já nossa Confederação Brasileira de Desportos (CBF), vem
chafurdando em escândalos de corrupção, não consegue organizar bases para
que o País retome sua hegemonia futebolística. Há pouco, a saída do pré
candidato a presidência Jair Bolsonaro do PEN- Patriota e sua chegada ao PSL
rendeu a melhor síntese para definir esse sujeito e Lula; “Bolsonaro é como
Lula, um candidato antissistema, carismático, com ares messiânicos de
justiceiro, dotado de uma visão estadista e autoritária, que surfa na 22
demagogia”, (disse Sergio Bivar do Livres). Esse momento promete fortes
emoções e certamente entrará para os livros de história.

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QUADRILHA NA CADEIA

Segundo o antropólogo Roberto da Matta, que estudou o comportamento dos
brasileiros no trânsito e nas filas dos bancos, temos grande resistência à
igualdade. A desigualdade é a sensação mais comum e confortável para todos,
pois com ela o Brasil é sempre o mesmo, garantindo que nada muda. Em uma
sucessão de escândalos de corrupção, o Estado do Rio viu alguns dos
principais líderes políticos dos últimos 20 anos irem para cadeia, todos
passaram pelo palácio e pela poltrona de quem comanda o segundo estado mais
importante do país. Nas últimas duas décadas, todos os que sentaram lá
acabaram tendo que acertar contas com a Justiça. Dos últimos quatro eleitos,
três estão atrás das grades: Anthony
<http://g1.globo.com/politica/politico/garotinho.html> Garotinho, sua
esposa, Rosinha Matheus, e Sérgio Cabral. O atual governador, Luiz Fernando
Pezão, já foi citado em delações premiadas e teve o mandato cassado pelo
Tribunal Regional Eleitoral, mas está recorrendo. Todos foram aliados, mas
Garotinho e Cabral romperam em 2006 e só voltaram a ficar perto um do outro
há um ano, quando ficaram presos em Bangu. Esse é só mais um caso que choca
a nação. É muito difícil prever o impacto da prisão desses sujeitos sobre a
política nacional. Um fator que reduz o impacto negativo de tudo isso é a
absurda falta de oposição política militante, pois estão quase todos
enrolados, em digno abraço de afogados. Os historiadores dizem que a falta
de oposição política tende a migrar todas as manifestações para a cúpula do
governo federal, nesse caso, mais enrolado que isso… O exemplo está no tão
falado choque de capitalismo do governo Temer, com a existência de seis
programas voltados para a modernização da máquina administrativa e econômica
que na prática nunca aconteceu e está implodindo sua base de apoio político.
O Congresso Nacional está um semideserto e ninguém sente falta dele.
Trata-se do pior Congresso da história, talvez pelo fato de sabermos de tudo
e de todos. Para onde nos conduziremos? O maior legado da implosão da
política nacional será no processo eleitoral de 201. Haverá uma mudança
radical na configuração do Congresso Nacional e em conseqüência na política.
Espero que a partir de agora não precisemos piorar tanto para melhorarmos um
pouco, e que a corrupção um dia não mais faça parte da cultura dessa nação,
fazendo que o “País do Futuro” passe a ser definitivamente o “País do
Presente”.

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VIDA LONGA AOS GANGUESTERES

Em sessão extraordinária realizada no dia 17, os deputados estaduais do Rio
de Janeiro, revogaram as prisões dos colegas Jorge Picciani, presidente da
Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), Paulo Melo – que também já presidiu a
Casa – e Edson Albertassi, atual líder do governo, acusados e presos
preventivamente por corrupção e lavagem de dinheiro. Os três deputados são
do PMDB. Em votação aberta, 39 deputados votaram por soltar os três colegas
presos, seguindo o parecer aprovado na Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) da Casa, um absteve-se, enquanto a manutenção das prisões recebeu 19
votos. Além de libertar três marginais, o parecer da CCJ determina que
Picciani, Albertassi e Melo voltem ao exercício do mandato. Lembro que o
precedente foi concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando
covardemente empurrou ao Senado Federal o caso do corrupto Senador Aécio
Neves ( PSDB). O Rio de Janeiro está falido e tomado pelo crime. Terra de
ninguém, governada há anos por larápios, como por exemplo, o apenado Sérgio
Cabral (PMDB), que concorre em até 100 anos de prisão, (cumpriu um ano).
Dizer que os deputados da Alerj são imagem e semelhança de seus eleitores
não é verdadeiro, pois uma eleição depende de muitos fatores como a cultura
do povo, mídia, marketing, uso da máquina pública etc. Na verdade, o volume
de coisas erradas que a Operação Lava Jato trouxe a tona a cada dia se
amplia. Com tal confirma-se que os partidos brasileiros, sabidamente sem
ideologia predominante, se diferenciam pelo grau de engajamento ao crime
organizado. A política brasileira aparelhou-se há séculos para beneficiar
seus eleitos. Nesse momento nos cabe desfazer essa rede de crimes. Segundo
“Gabriel, o Pensador, políticos ridículos se sentem mitos”, o que é
inadmissível. Nenhum político idiota é mito e nem mitos são idiotas. Nesse
momento a bandalheira dá abertura para forças de extrema direita que já
castraram e consumiram o Brasil por 21 anos. Não foi nos 13 anos de
Lulopetismo que criou-se o terrível arcabouço da política mafiosa com
fóruns privilegiados e corporativismo, mas o Lulopetismo a aperfeiçoou. O
Brasil não é e nem será mais o mesmo. Quanto aos políticos criminosos?
Muitos serão punidos e um círculo virtuoso se criará. Vidas longas aos
ganguesteres, dessa forma pagarão por seus crimes.

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LEIS, SEGUNDO MONTESQUIEU

O século 19 foi provavelmente o século do Poder Executivo no Brasil. Foi
quando demos um basta a escravidão e a monarquia, assumimos a república e
revisamos a governança do Brasil. Já no século 20, o Brasil viveu
provavelmente o século do Poder Legislativo. Leis foram reformadas, hora
melhoram, hora pioraram, adaptaram-se. Parece-me que no século 21 viveremos
o século do judiciário, vejam a Operação Lava Jato revendo as relações
institucionais e sacando a corrupção da política de estado. O Brasil precisa
aprender com o grande filósofo do iluminismo Montesquieu. Segundo ele, os
homens são geridos por um conjunto de coisas, como o clima, a religião, as
leis, as máximas dos governantes, os exemplos dos fatos passados, os
costumes, as maneiras. Daí resulta um espírito geral, que, em cada Nação. A
natureza e o clima, por exemplo, determinam o modo de vida dos povos
selvagens; as lições filosóficas e os costumes balizam o governo na Roma
antiga; enquanto ceticismo está na alma dos orientais. A preocupação central
do autor de “O Espírito das Leis” era, porém, com a degradação geral das
Nações, com a vitória dos vícios sobre as virtudes. Infelizmente, esse
parece ser um cenário cada vez mais visível, eis que, ao lado do progresso
material, se distingue na estampa internacional um quadro de exaustão, cujos
matizes agregam fatores como quebra da lei e da ordem, anarquia crescente,
estados fracassados, máfias transnacionais, debilitação de família, declínio
da confiança nas instituições, cartéis de drogas, enfim, o paradigma do
caos. A inserção de nosso País nesse quadro é total. Chegamos ao estágio
terminal no campo da ética e da moral. De onde se pinça a indagação: qual
tem sido o elemento central gerador para explicar o avançado grau de
deterioração de costumes políticos e práticas sociais? O descalabro aponta
para a incapacidade dos Poderes, com ênfase no Executivo e no Legislativo,
para cumprir a missão a que se dedicam. Traços deste panorama: trânsfugas
são pintados como heróis; a banalização da violência amortece a
sensibilidade social; o desprezo pelas leis expande a anomalia e,
conseqüentemente, a impunidade. O legislador Sólon, um dos sete sábios da
Grécia, dizia que dera aos atenienses “as melhores leis que podiam
tolerar”. Os brasileiros ganham dos nossos legisladores as melhores leis que
podem esquecer ai o Poder Judiciário os fazem cumprir.

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O FRAGELO DA FOME

Em 1956, a China vivia a consolidação da revolução comunista, que
dentre outras coisas havia pacificado o país e proporcionado sua
estabilidade econômica.A vida transcorria relativamente bem para o chinês,
até que em setembro do mesmo ano, no 8º Congresso do Partido Comunista,
comandado pelo “Grande Timoneiro” Mao Tse-Tung, resolveu lançar o ambicioso
2º Plano Qüinqüenal, a iniciar-se em 1958. Encarado como “o grande salto pra
frente”, no qual entre outras coisas, o país deveria no prazo de um ano,
crescer em proporções nunca vistas. Em 1958, em todas as aldeias,
alto-falantes transmitiam ao máximo volume a nova palavra de ordem; “Todo
mundo fabricando aço!” O mandamento incluía realmente todos. Cerca de 100
milhões de camponeses foram deslocados da lavoura para a produção de aço e
com isso a agricultura foi praticamente aniquilada. Para evitar dispersões,
as terras foram todas expropriadas e organizadas em grandes comunas
populares. O regime proibiu refeições em casa. Os camponeses só podiam se
alimentar nas cantinas comunitárias e dedicar o melhor de seus esforços à
produção de aço, nem que fosse de modo artesanal, no fundo do quintal. O
resultado foi desastroso. Não se produziu uma tonelada sequer de aço
economicamente viável, as safras quebraram e no início dos anos de 1960, a
fome matou mais de 30 milhões de chineses. Foi a terceira maior tragédia da
história humana, só superada pela Gripe Espanhola e pela 2ª Guerra Mundial.
Em 1961, Mao Tse-Tung viu-se obrigado a voltar atrás, mas já era tarde. Mais
do que com a miséria, o mapa da fome coincide com ideologias. Ao tempo em
que os chineses sucumbiam aos milhões, do outro lado do mundo, um jovem
cientista norte americano chamado Norman Borlaug, criava nos arredores da
cidade do México, um centro de pesquisas agrícolas que poucos anos depois
haveria de revolucionar o planeta. Trazia em mente uma única convicção; a
resposta para a fome não estava no campo minado das ideologias, mas sim na
ciência e na tecnologia. Após exaustivos experimentos, logrou criar novas
sementes de arroz e de trigo de altíssimo rendimento. E o mais importante,
perfeitamente ambientadas para os solos e os climas adversos do então
terceiro mundo. O continente Asiático, conhecido até então como o
“continente da fome”, nunca mais seria o mesmo depois de adotar as sementes
e os modos de cultivo recomendados pelo cientista. Ele logrou conquistar o
Prêmio Nobel da Paz em 1970, mas é só.

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SEMANA DA DESFAÇATEZ

Na última semana assistimos mais um pouco da novela “quanto pior melhor”.
Começamos com a caravana de Lula pelo norte de Minas Gerais. Um tributo a
desfaçatez, a mentira, ao descaramento e autoflagelo de um mito que ruiu. O
condenado não percebe que seu discurso já não mais engana. Ao chegar à
cidade de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, o petista foi recebido com uma
faixa “Lula, o Vale do Mucuri te recebe de algemas abertas”, o mesmo em
Ipatinga, no Vale do Aço. A presença do ex-presidente nas cidades por onde
tem passado vem sendo repudiada. Na seqüência, a Câmara dos Deputados livrou
mais uma vez a cara doutro mafioso, dessa vez o presidente Michel Temer.
Após quase 13 horas de sessão, por 251 votos a 233, a Câmara rejeitou enviar
ao Supremo Tribunal Federal (STF) a segunda denúncia contra o presidente
Michel Temer apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Temer
foi denunciado pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça.
Já o PSDB, dividido e em cima do muro como sempre, vem buscando a identidade
perdida, vem “sambando” nas garras doutra decepção, o ex-Senador em
atividade Aécio Neves, presidente licenciado da legenda. Inacreditável,
Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB, pede, roga, implora para que
Aécio deixe a presidência do partido, e o mesmo finge que não é com ele. O
PSDB irá desaparecer antes mesmo do PT, assim seja. Para não ficar para
traz, no STF, a mais alta corte da República, assistimos uma “briga digna de
lavadeiras” entre os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. A
discussão começou quando Gilmar criticou a situação do Rio de Janeiro. No
momento, Gilmar Mendes votava e falava sobre a gestão de recursos públicos.
Incomodado com a crítica ao Rio de Janeiro, Barroso citou Mato Grosso,
estado de Gilmar Mendes, “onde está todo mundo preso”. Gilmar Mendes então
treplicou lembrando a atuação de Barroso no “mensalão”: afirmou que ele
soltou o ex-ministro José Dirceu. Relator da execução penal do petista,
Barroso respondeu que tomou a decisão com base em decreto da ex-presidente
Dilma Rousseff de conceder indulto a condenados. Na verdade, Barroso, no
caso tem razão em grande parte do que disse a Gilmar Mendes, ocorre que a
casa deveria ser republicana e respeitável. O Armagedom, lugar onde
acontecerá a batalha final entre as forças do Bem e do Mal, poderá resolver
a crise moral, cívica de postura e compostura dos que comandam e comandavam
o Brasil.

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