Como recrutar o bom senso?

Uma das questões tormentosas para todas as democracias é a forma de recrutamento de juízes, promotores de Justiça, defensores públicos e demais carreiras jurídicas. Em tese, o modelo brasileiro é incensurável.

Nossos juízes, promotores, defensores públicos, procuradores, delegados de polícia e de legatários dos serviços extrajudiciais – os antigos cartórios – são selecionados por concurso de provas e títulos. Fórmula que alia o aspecto democrático – todos podem concorrer, desde que bacharéis em Direito – e a feição meritocrática – só os mais capazes serão aprovados.

Todavia, persiste o tema da legitimidade, muito debatido em outros países, a merecer uma resposta consistente e convincente. Os demais poderes têm seus integrantes eleitos. Submetem-se ao escrutínio popular. Isso é próprio ao regime democrático. Tanto que os Estados Unidos têm vários estados que elegem seus juízes, para responder a esse déficit de legitimidade muito comentado na doutrina.

Aqui, o concurso público de provas e títulos não atende a esse requisito de escolha popular e merece críticas. A resposta mais comum é a de que o juiz atende ao princípio da legitimidade mediante sólida fundamentação das decisões.

Como profere suas deliberações por escrito ou oralmente, mas com toda a publicidade e transparência, tal procedimento adquire a legitimidade que vem do consentimento da população à qual está preordenado a servir. Superada a questão da legitimidade, outra ordem de reflexões ainda não mereceu definitiva solução. O concurso público escolhe, na verdade, os mais capazes?

É algo irrespondível. Tem sido assim e as carreiras públicas não padecem de falta de preparo técnico. Isso é suficiente para o excelente desempenho da função estatal?

Ocorre que a seleção de profissionais das carreiras jurídicas ainda ostenta um déficit sobre o qual existe relativo consenso: avalia-se a capacidade de memorização, na expectativa de que o candidato decore todo o acervo legislativo, doutrinário e jurisprudencial produzido a respeito do universo jurídico.

Nem sempre isso equivale a equilíbrio, sensibilidade, capacidade de trabalho, compreensão, solidariedade, humanismo e, principalmente, bom senso. Mas quem é que pensa em alterar esse quadro?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 19/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Juízo, a Terra é frágil!

Talvez por ser neto de imigrante, que deixou a Itália por falta de perspectivas e por  carência de terras, tenho a ecologia no meu DNA. Sou ambientalista convicto, procuro proteger a natureza na limitação de minhas possibilidades, mas nunca cessei na pregação de alerta para que o maltrato se reduza.

Como um dos idealizadoras e primeiros integrantes da Câmara Especial do Meio Ambiente, depois batizada Câmara Reservada ao Meio Ambiente, sempre fui contra
as queimadas de palha de cana-de-açúcar. Nunca me convenci de que essa praxe fosse inofensiva. Estive em locais afetados e o cenário é aterrador. Sustentei com paixão a vedação de tal costume, repeli o argumento de que sempre foi assim, desde a “coivara” dos índios e perdi muitas batalhas. Indignado ao constatar que doutrinadores do ambiente, quando contratados a defender os incendiários, renegavam suas posições e encontravam elementos para afirmar que aquele era um caso peculiar.

Indignei-me quando em acórdão o relator chegou a se utilizar de metáfora de discutível gosto: a fuligem da queimada representava “as borboletas do progresso” para o agronegócio… Enfim, a verdade é poliédrica e cada qual consegue enxergar na mesma questão um foco nem sempre perscrutável pelo olhar do outro.

Reconheço que a cana-de-açúcar está no Brasil desde 1530, trazida por Martin Afonso de Souza e que hoje o Brasil é o maior produtor do mundo e o primeiro fornecedor de açúcar, com 22% da oferta mundial. É o segundo em etanol, com 25% do mercado. A previsão da safra 2017/2018 é de 585 milhões de toneladas, apenas na região Centro-Sul, de acordo com informações da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar – Unica. O parque industrial conta com 382 usinas, sendo 302 situadas na região Centro-Sul, e gera 1 milhão de empregos diretos em 30% dos municípios brasileiros.

A biomassa ocupa a terceira posição na matriz elétrica do Brasil, com 11.189 MW e de acordo com o Plano Decenal de Energia – PDE 2024, do Ministério de Minas e Energia, o potencial técnico de geração anual para a rede pela biomassa de cana pode alcançar duas usinas de Itaipu, com 165 TWh/ano até 2024, ou seja, 24% do consumo nacional.

Sei também que da cana tudo se aproveita: etanol, açúcar, energia, cachaça, caldo de cana, rapadura. Os subprodutos também são reutilizados, como a palha da cana, usada na técnica do plantio direto, que protege o solo e aumenta a produtividade do canavial. Mas também produz energia elétrica, papel higiênico, bioplástico e outros itens. A vinhaça é destinada à adubação e fertirrigação, pois tem concentração de nutrientes.

Todavia, não penso que seja saudável eliminar a policultura, vocação natural do Estado de São Paulo, para transformar nosso Estado em imenso canavial. Apenas separado por presídios, o que me levou a escrever há alguns anos, o artigo “Cana & Cana”, para evidenciar uma realidade preocupante.

Espero que o agronegócio tenha juízo para não deixar de respeitar a natureza, tão pródiga e tão maltratada. O mundo emite sinais eloquentes de fratura ambiental. Não é impossível manter a canavicultura e a reserva florestal. Esta é um patrimônio que não merece destruição.

Espero que a preocupação ecológica mereça cada vez maior espaço na categoria e que as notícias veiculadas no jornal do Engenheiro Agrônomo, sob o título “Santa Cana – Do Passado Colonial ao Futuro Sustentável” sejam sinal de fortalecimento dessa consciência. Pois afirma-se que 97,5% da área de cana de São Paulo está livre de queimada. As emissões de gases de efeito estufa evitadas já equivalem ao que teria sido emitido por cerca de 162 mil ônibus circulando durante um ano. Enquanto na safra de 2007/2008 havia 753 colhedoras, hoje o setor sucroenergético possui 3.747 colhedoras. 60% das usinas signatárias do Protocolo Agroambiental possuem programas de restauração florestal de seus fornecedores de cana.

É saudável que a nova geração de profissionais, com especialização adquirida nos mais modernos centros de formação, tenham noção de que a Terra é frágil e de que nada adianta exauri-la com uma agricultura agressiva, para amanhã não poder dela extrair riqueza, sobrevivência e vida digna.

Fonte: Correio Popular | Data: 17/11/2017

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FELIZ 2017 !

E chegou 2017. Percebe-se uma mistura incoerente de revolta quanto a 2016 e doce ilusão quanto a 2017. Como os governos permitiram que ocorresse uma crise política, econômica e social tão grave? Como governantes, eleitos democraticamente e tão bem pagos deixaram o Brasil ir a bancarrota? Por que os cientistas políticos e economistas não previram e evitaram este cataclismo, essa crise? Ao mesmo tempo a ilusão que o Brasil sairá da crise de forma ilesa. A teoria por trás é que o futuro depende das expectativas atuais e principalmente de otimismo. Se todo mundo acreditasse num futuro melhor, continuasse consumindo e investindo, não haveria mais recessão e crise. No linguajar econômico: as expectativas são autorrealizáveis, mantidos o consumo e o investimento, haveria demanda, vendas, produção e emprego (nesta ordem). Infelizmente, a realidade é mais dura que essa. É verdade que as expectativas fazem parte integrante do arcabouço econômico e uma piora substancial da perspectiva futura afeta a realidade econômica. Melhorando as expectativas, melhora-se o cenário, pelo menos temporariamente. Há fatores concretos que vão afetar a vida dos indivíduos e empresas no Brasil em 2017, independentemente do humor coletivo. A recessão mundial e a retração do crédito internacional são uma realidade. O efeito Trump deverá promover medidas internas nos Estados Unidos da América do Norte, que ampliarão os juros em países encrencados como o nosso, assim como o dólar provavelmente será valorizado. Há menos demanda pelos produtos brasileiros no mundo. A taxa de câmbio no Brasil está se ajustando a esta nova realidade. Tecnicamente não escrevo com pessimismo, e sim com pragmatismo. Há falta de capital no mercado financeiro internacional, que comprime o crédito externo, proporcionando perda de riquezas e queda de produção ao redor do mundo. Mesmo ainda com a severidade desse final de crise, as expectativas para 2017 de crescimento do PIB em até 1,2% são reais, desde que o governo se preocupe em desonerar o capital, desinchar a máquina pública, deixar um pouco a campanha presidencial de lado e cumprir as metas fiscais, diminuir drasticamente os gastos públicos, incentivar as exportações, reduzir a taxa de juros sempre de olho na inflação. Desejo a todos feliz 2017! * Carlos Henrique Pellegrini é professor universitário e Diretor de Gestão Empresarial e Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting, pellegrini@maxirecur.com.br , visitem www.maxirecur.com.br

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FELIZ NATAL!

No Natal vale reflexões, e na vida esperamos ser felizes. Há uma busca constante de fórmulas para prosperidade, tranqüilidade, prazer. Nesse ano dificilmente alguém teve tranqüilidade e felicidade plena. A seguir descreverei um texto de autor anônimo que demonstra a adversa relação da pressa e da paciência. ”Já vai para 18 anos que estou aqui na Suécia. Trabalhar com aqui é uma convivência, no mínimo, interessante. Qualquer projeto demora 2 anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É uma regra. Já nos processos globais; brasileiros, americanos, australianos e asiáticos ficam aflitos por resultados imediatos, uma ansiedade generalizada. Os suecos discutem, fazem reuniões e ponderações e trabalham num esquema bem mais lento. O “pior” é constatar que no final, acaba sempre dando certo no tempo deles com a maturidade da tecnologia e da necessidade; bem pouco se perde aqui. Para ter uma idéia, a empresa que trabalho é fabricante de motores propulsores para os foguetes da NASA. Entretanto, vale salientar que não conheço um povo que tenha mais cultura coletiva do que os suecos. Há um grande movimento na Europa hoje chamado Slow Food, (refeição lenta). O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, no convívio com a família, amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food (refeição rápida) e o que ele representa como estilo de vida em que o americano “deusificou”. Os trabalhadores franceses, embora trabalhem 35 horas por semana são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que trabalham 28,8 horas por semana, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%. Essa chamada “slow atitude” (atitudes lentas) está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do “Fast” (rápido) e do “Do it now” (faça já). Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do “local”, presente e concreto em contraposição ao “global” – indefinido e anônimo. Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé …” Tudo isso faz sentido. Quem sabe em 2017. Desejo a todos um feliz Natal! * Carlos Henrique Pellegrini é professor universitário e Diretor de Gestão Empresarial e Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting, pellegrini@maxirecur.com.br , visitem www.maxirecur.com.br

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PARABÉNS PROFESSORES!

Quem não tem pelo menos um professor em sua história que marcou fortemente a
vida? Poderia citar vários que nortearam a minha, e são muitos. De qualquer
forma ainda não há muito a comemorar na educação. Apesar do Presidente Temer
propagar com otimismo a diferença que a reforma do ensino médio trará ao
País, e causar a impressão de que é uma das bases do enriquecimento de nosso
povo, tal enriquecimento será seletivo, ou seja, por aquela parcela de
população que teve a sorte de receber melhor formação escolar a se preparar
para o mercado de trabalho. A condenação à escuridão intelectual que estamos
impondo às crianças brasileiras, por falta de melhor escolarização, talvez
seja a mais cruel das penalidades, porque atinge não apenas elas próprias,
como também o País em que viverão quando se tornarem adultas. Nem o mais
desumano entre os códigos penais conseguiu a proeza de inserir em seu rol
este castigo. A ignorância, nada surpreendente, que o mundo exterior começa
a conhecer de nosso país deve ser motivo de vergonha para nós todos, mas,
especialmente, para os governantes, que se mostram preocupados em olhar mais
para o próprio umbigo do que para a nossa realidade, extasiados com eles
mesmos e propagando a toda hora, fundados em estatísticas bem manipuladas,
que Deus é brasileiro e o Brasil caminha às mil maravilhas. Numa visão das
mais forçadas, é reconhecer que o Brasil de hoje já é a clara conseqüência
do descaso com que foi tratada a educação desde há décadas. A coragem com
que a Coréia do Sul, destroçada por uma guerra, se dispõe a resolver o
problema – e o resolveu – deveria ser um exemplo para os nossos governantes.
É incrível que essa experiência fantástica, que em pouco tempo transformou
aquele país, antes tão atrasado como o nosso, em nova potência econômica do
mundo, não seja aproveitada no Brasil. Enfim, não pode estar bem um país
onde a grande maioria das pessoas vive na escuridão de conhecimentos,
prestando-se, sem ter consciência disso, a sufragar nas eleições políticos
que acabam disputando as manchetes com os piores criminosos. Cidadãos
instruídos não se deixam iludir por alguns trocados mensais que programas
populistas como o “Bolsa Família” distribui para anestesiar as consciências.
Hoje o Brasil não é o um País de todos como alardeiam, se tornará depois de
reformas sistemáticas provocadas pelas urnas.

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Caiu na rede

A educação é a mais valiosa e eficiente ferramenta de inclusão com que se pode contar. Ela é responsabilidade de todos e ninguém pode se escusar de não ser chamado a participar dos debates que procuram seu contínuo aperfeiçoamento.

Em momentos críticos é que ideias criativas podem suprir a carência de recursos financeiros e mobilizar a boa vontade e a lucidez pátria para encontrar alternativas.

Um atalho importante para a inclusão é a educação física. Nada mais atraente e sedutor para a infância e a juventude, do que a utilização de todas as potencialidades de um corpo repleto de vigor e de esfuziante vitalidade, para canalizar essas energias rumo a um processo de crescimento integral. Corpo saudável é a estrutura imprescindível para uma consciência também sadia.

Manter infância e mocidade reclusas durante longos períodos em salas de aula que ainda conservam estruturas arcaicas e superadas de distribuição do espaço físico é missão a cada dia mais impossível. Por isso o papel que a atividade física precisa exercer e suprir as deficiências do processo educativo, de maneira a seduzir essa faixa etária para a relevância do contínuo aprendizado.

Além do diálogo permanente e presencial, entre professores do mesmo estabelecimento, é conveniente se servir de maneira adequada das redes sociais. Há milhares de oportunidades acessíveis para que os interessados perscrutem por múltiplos ambientes o que pode ser feito em termos de tornar atraente o ensino e de aproveitar a sedução natural da educação física para reconduzir o egresso, aquele que se evadiu da escola, de volta ao seio acolhedor da comunidade escolar.

Para quem ainda não se acostumou a essas “viagens virtuais”, há bons caminhos para iniciar uma jornada irreversível. Pense-se no Projeto “Diversa”, plataforma de troca de experiências e construção de conhecimento sobre educação inclusiva. Tem motivado educadores, gestores de instituições de ensino, pais, pensadores e demais profissionais comprometidos com o tema. Pode ser acessado emwww.diversa.org.br.

Outra boa dica é o Portal dos Professores do MEC, a disponibilizar recursos educacionais que facilitam e dinamizam o trabalho dos professores. Há sugestões de aulas de acordo com o currículo de cada disciplina e recursos como vídeos, fotos, mapas, áudio e textos. Acesso: portal.mec.gov.br/portal-do-professor.

O Move Brasil é uma campanha aberta com o intuito de aumentar o número de brasileiros praticantes de atividades físicas, expandir e facilitar a oferta de esporte em todo o Brasil e mostrar às pessoas o esporte e as atividades físicas como algo prazeroso, e ainda capaz de melhorar a qualidade de vida e promover o desenvolvimento social. Disponível em www.movebrasil.org.br.

Para os mais interessados em esporte vinculado à educação, pois nada mais interessante para a juventude do que apropriar-se de uma modalidade esportiva, existe o Centro Esportivo Virtual, criado pelo Professor Laércio Elias Pereira, Doutor em Educação Física pela Unicamp e fundador dessa organização não governamental originada de sua Tese de Doutorado em Educação Física. O Centro congrega quase 50 mil participantes, 150 comunidades e dispõe de uma biblioteca de 50 mil documentos, entre revistas, livros, trabalhos de congresso, dissertações e teses, vídeos, legislação e outros. Consulte em www.cev.org.br.

E como estamos em época de Olimpíada, o Transforma –www.rio2016.com/educacao é o programa de educação que traz para dentro das escolas os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio em 2016. Além do acesso a diversos conteúdos didáticos, os profissionais podem participar dos cursos virtuais e dos treinamentos presenciais.

Enfim, as redes estão disponíveis para um projeto inclusivo consistente. Missão para a qual todo brasileiro consciente, lúcido e de boa vontade está sendo requisitado. E com urgência!

Fonte: Correio Popular | Data: 19/08/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail:imprensanalini@gmail.com.

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BALANÇO OLÍMPICO

O resultado da Olimpíada Rio 2016 não trouxe novidade. Estados Unidos da
América do Norte na ponta da tabela, seguido por Inglaterra e China. O
desempenho brasileiro na décima terceira posição, com 19 medalhas contra 17
em Pequim foi abaixo do esperado, mesmo tendo melhorado historicamente. Tal
resultado é fruto de uma cesta nefasta e histórica de omissões do desgoverno
nacional. A falta de responsabilidade governamental é inversamente
proporcional a vontade de postar o nome ao lado de abnegados que com esforço
próprio e altas penas chegam ao topo do esporte. O discurso de tirar
crianças das ruas e afastá-las do crime com o esporte já é “démodé” e não
basta. Como atleta amador certifico que o esporte alavanca a educação, serve
de exemplo, aumenta a qualidade de vida, destaca e projeta pessoas. O
brasileiro na média não tem onde praticar seu esporte com correção e
segurança. Os que tem talento e desejam tornar-se profissionais passarão por
dificuldades que chegam a inviabilizar a própria vida. Falta patrocínio para
sobrevivência e para desenvolver seu talento é apenas a ponta do “iceberg”.
Não existe acompanhamento médico, psicológico, nutricional, físico etc. Não
há atenção e nem planejamento público, tudo teria que nascer na pré-escola.
Nossos atletas foram educados em escolas que nem se quer possuem espaço para
aulas adequadas de educação física. As poucas crianças que tem condições de
praticar alguma modalidade de esporte, lhe são tiradas o prazer de fazê-lo
como crianças, tendo hoje a obrigação de aprender e fazer daquilo um
emprego, afastando assim as mesmas dos estudos, que á a base fundamental
para a formação de qualquer cidadão. A razão é sempre a mesma, ou seja, o
esporte é a única maneira de fazer estas crianças ascender socialmente,
forçando muitas vezes os pais a fazerem sacrifícios que seriam
desnecessários caso o devido apoio fosse dado por parte de quem governa. Os
poucos que mesmo com todas as dificuldades conseguem superar todos os
obstáculos e têm a oportunidade de praticar esporte profissionalmente, ainda
sim sofrem com a falta de incentivo. Por isso, independente de tudo, nossos
atletas são campeões naturais. Venceram dificuldades maiores do que a
própria modalidade praticada, venceram um desgoverno mentiroso e
descomprometido com a educação e o esporte. Parabéns atletas nacionais!

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Atualidade de Franco Montoro

Momentos como os que o Brasil enfrenta nesta fase dramática servem também para celebrar melhores páginas. Uma das quais a passagem patriótica de ANDRÉ FRANCO MONTORO pela política nacional.

Nascido em 16.7.1916, se vivo fosse estaria a completar seu centenário. Mas continua presente qual modelo de homem público virtuoso, que não se corrompeu e guardou intacto o idealismo e o fervor cívico.

Bacharel das Arcadas em 1938, conciliou o Curso de Ciências Jurídicas e Sociais com Filosofia e Pedagogia. Afeiçoado às causas humanitárias, foi secretário-geral do Serviço Social da Secretaria da Justiça, docente universitário e procurador do Estado. Filiado ao PDC – Partido Democrata Cristão, foi vereador à Câmara de São Paulo, deputado estadual e deputado federal.

Estava em companhia de João Goulart, então vice-presidente, quando da visita à China, ocasião em que Jânio Quadros enunciou, em 25.8.1961. Foi ministro do Trabalho e Previdência Social de Jango, criou o salário-família, caiu com a queda de João Goulart, mas reelegeu-se deputado federal pelo MDB em 1966. Foi um dos cinco únicos senadores oposicionistas eleitos em 1970 e, em 1982, era o governador de São Paulo, responsável por uma das administrações mais democráticas que Piratininga já experimentou.

Sempre tive enorme admiração por Franco Montoro, casado com a jundiaiense Luci Pestana Silva Franco e pai de sete filhos. Ricardo, um deles, meu amigo, foi o responsável pela concessão da honrosa Cidadania Paulistana a este conterrâneo de sua mãe.

Montoro sempre me incentivou a participar de um contínuo processo de aperfeiçoamento da vida brasileira e me prestigiou em todas as oportunidades. Atendeu a convites para proferir palestras aos alunos de Direito da Faculdade Padre Anchieta, foi inaugurar a Feira da Amizade em 1982, pouco antes de se tornar governador. Depois de deixar o governo, continuou à frente do Instituto Jacques Maritain, instância adequada para o debate franco e consistente sobre os rumos do convívio fraterno e cristão, algo de que ainda carecemos. Talvez mais do que em tempos de antanho.

Sua obra é imperecível. Sua frase “ninguém mora na União nem no Estado. As pessoas moram no município” é uma das que mais repito, com imensa saudade do mestre e amigo.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 17/07/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail:imprensanalini@gmail.com.

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O TEMPO. . .

 “Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz.” – S. Lucas – 8 – 17.

O que é o tempo ? –  Se olharmos para a existência da humanidade, verificaremos o quanto passou depressa os 2016 anos pós Cristo. Quanta história nesses 21 séculos. Quantas atrocidades, mas, também, benevolências, quantas maldades, mas, também, caridades, misericórdias, amor e perdão.

Como homens e mulheres, somos os detentores dos bens e da vida ou, simplesmente, somos usuários dos bens numa breve vida, num curto “tempo” ? – É essa sabedoria de vida que falta à humanidade. Vivemos como se fôssemos eternos e, por isso, somos egoístas, orgulhosos e, quase sempre, invejosos. Achamos, em alguns momentos, que a vida dos outros é melhor e mais fácil que a nossa. Esquecemos que temos apenas a visão fotográfica dos fatos e da vida das pessoas e das empresas, mas não temos o filme dos caminhos que percorreram, de suas aflições e dificuldades que passaram.

Somos injustos com Deus, pois reclamamos quando deveríamos agradecer.

Quando se é um grande astro das artes ou do esporte, ao contrário de se sentir como um ser superior, é devido, em primeiro, reconhecer o “dom” recebido do Alto e depois as suas virtudes.

Quando agimos como senhor da razão e poderosos, na verdade, somos frágeis e inseguros e nos agarramos ao “ter” cada vez mais, para a nossa segurança presente e futura, como se os bens materiais fossem  o nosso “porto” seguro.

Se somos  jovens, bonitos e exuberantes, é preciso sim viver esse momento de magia na vida, mas sem exibicionismos, porque, brevemente, não mais teremos essas virtudes.

É certo desprezarmos as pessoas socialmente inferiores se não sabemos a trajetória de suas vidas e as portas que não se abriram para elas ? Quanto do que temos é mérito exclusivamente nosso e não do meio em que vivemos, das oportunidades que tivemos e da herança material e cultural que herdamos ? Essa é a reflexão que faço para mim e para os “meus”, mas, que “todos” deveriam fazê-la.

Se o  fizermos, estaremos escolhendo sempre o “caminho do meio”, da prudência, da simplicidade, da tolerância, do entendimento, da  misericórdia, do perdão e do amor ao próximo.

Somos e seremos sempre e por toda a existência, apenas viajantes nesse planeta terra, que não nos pertence. Aliás, o aqui e o agora não nos pertencem e o amanhã, muito menos.

 

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Vamos tomar a USP

No melhor e único sentido compatível com as finalidades da mais conceituada universidade pública do Brasil: fazer com que os alunos da rede pública tenham sucesso nos vestibulares. Melhorar a performance do ensino estatal na seleção dos universitários com acesso à mais qualificada formação, garantidora de êxito acadêmico e profissional reconhecidamente proficiente.

Para obter esse resultado, é preciso consciência e vontade. Consciência do próprio alunado, capaz de se empenhar num estudo concentrado nestes meses que ainda faltam para a seleção dos chamados a integrar o respeitado corpo discente da USP. Consciência do magistério, que confia no ensino público e cujo idealismo tem sido constantemente posto à prova, em fases bastante difíceis da carreira. O aprimoramento contínuo do aproveitamento, avaliado nas aferições recentes, evidencia que o professor tem feito sua parte. Agora é investir numa revisão intensa e no preparo psicológico dos angustiados protagonistas do teste que definirá o futuro de seus discípulos.

Vontade do aluno de vencer a barreira aparentemente inexpugnável. Provar que o ingrediente mais poderoso ainda é a firme deliberação de “chegar lá“. Só depende dele mesmo relembrar o conteúdo das disciplinas desenvolvido em aula. Treinar a memória, elaborar modelos de redação, assumir o protagonismo tão próprio à juventude, cuja crença em si mesma é provida de uma força milagrosa.

Vontade dos professores de alertar os alunos potencialmente aptos ao enfrentamento e trabalhar com eles, conferindo ainda maior atenção. Com estímulo carinhoso, pois todos sabemos qual a importância de uma voz convincente, proferida por alguém que conhece de verdade a condição do educando. O convívio diário com o jovem estudante confere ao mestre indiscutível autoridade para detectar as possibilidades de sucesso.

Há programas na rede web acessíveis aos que realmente quiserem passar nas provas do ENEM. É uma oportunidade que nem sempre esteve disponível e que habilita os futuros universitários a galgarem espaços e competências que só uma USP oferece. Vamos aceitar o desafio e multiplicar o número de uspianos egressos da rede pública paulista?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 02/06/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail:imprensanalini@gmail.com.

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