INSUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

O universo expande-se há 14 bilhões de anos e a Terra surgiu há cerca de 4,5 bilhões. O surgimento da água nos três estados físicos é a pedra angular de toda evolução do Planeta e o surgimento da vida. Há 11.000 anos, os homens vagavam como caçadores e coletores. Ao descobrir a agricultura, passa a viver de forma destacada desprendendo-se da natureza. Há 9.000 anos surgem as primeiras civilizações que não interferiam no meio ambiente. Há cerca de 1952 anos, os primeiros problemas ambientais relatados pelo pensador romano Sénica ao mencionar o forte odor da ruas da antiga Roma . Até o século 17 as relações do homem e do meio ambiente não conflitavam, exceto fatos pontuais como a quase completa extinção do pau-brasil. No século 18, a intensificação dos danos ambientais iniciou com a primeira Revolução Industrial. No século 19 com a produção em massa aconteceram diversas modificações no modo de viver, como transportes mais rápidos que ampliavam os impactos ambientais. No início do século 20, o aprimoramento da tecnologia, e a ampliação brutal dos mercados eram assustadores. O meio ambiente passou a ser deteriorado com muito mais violência. Na década de 50 faltava mão de obra, e os governos envolvidos lançaram maciços incentivos a fertilidade demográfica. Na década de 60 houve a explosão da produção industrial e uma surpreendente explosão econômica, nascendo os agrotóxicos e os fertilizantes químicos. Em 1972 em Estocolmo-Suécia, a primeira Conferência Ambiental Global para se discutir o conflito que ocorria entre desenvolvimento econômico e o meio ambiente. Em 1992, realizou-se no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente e ou Eco-92 reunindo 108 chefes de Estado para cunhar o Conceito de Desenvolvimento Sustentável. No final do século 20, o Brasil elaborava sua Nova Constituição que trouxe com ela a Lei de Crime de Ambiental. Em 2002 em Johanesburgo, a Rio +10, para discutir o uso dos recursos naturais. Em 2012, a Eco Rio +20, mais um fiasco. Recentemente tivemos o acordo de Paris, durante a COP – 21, que é um tratado que rege medidas de redução de emissão de dióxido de carbono a partir de 2020, que provavelmente o presidente eleito Donald Trump ogará no lixo. Em função do egoísmo, em pouco mais de 100 anos comprometemos parte do patrimônio natural que levou cerca de 14 bilhões de anos para se conceber. * Carlos Henrique Pellegrini é professor universitário e Diretor de Gestão e Sucessão Empresarial da Maxirecur Consulting, pellegrini@maxirecur.com.br

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PARALIMPÍADAS E POBREZA

As Paralimpíadas entraram no calendário mundial como uma grande festa
do esporte internacional, celebrando a inclusão, a superação individual e
coletiva. A média dos brasileiros é mais permeável a inclusão, ao fim da
descriminação e do preconceito, seja já qual, porém, com o desgoverno dos
últimos anos excluímos mais que incluímos. Na verdade desandou, hoje
chafurdamos num mar de corrupção, desemprego e incertezas. Ressurge no
cenário nacional a classe dos excluídos sociais, os outrora chamados
“descamisados”, os que beiram a linha da pobreza. Sem incluir os cerca de
60 milhões de brasileiros que vivem com no máximo R$ 2,50 / dia, não haverá
futuro para o País, para as empresas e para o próprio capitalismo. A
fartura de poucos e a impossibilidade de sobrevivência dos excluídos, exige
que governo e iniciativa privada reformulem suas estratégias, de modo a
oferecer produtos e serviços para essa massa sem esperança. O Brasil vive
um momento parecido com o período entre 1914 e 1945, quando as guerras
mundiais, a depressão econômica, o fascismo e o comunismo quase eliminaram o
Capitalismo da face da Terra. O quadro é semelhante, pois governos e
empresas estão em guerra contra inimigos como o terrorismo internacional, os
movimentos antiglobalização e a miséria. A maioria das empresas trabalham e
voltam-se para os 800 milhões de pessoas ricas ou de classe média, que
vivem com rendimentos superiores a R$ 150 / dia, e que consomem 80% da
energia e dos recursos naturais da Terra. A estratégia antiga de vender para
as elites e para a classe média emergente não trará opções e possibilidades
de crescimento ou sobrevivência ao capitalismo. Para crescer, será preciso
criar negócios inclusivos, por meio do qual, governo, setor privado e as
comunidades construam valores comuns, abarcando esse imenso mercado de
pobres. Por exemplo, um dos meios mais poderosos de inclusão seria
incorporá-los em suas cadeias de fornecedores. O entendimento pleno da
existência de 60 milhões que passam pelos fantasmas da pobreza como fome,
falta de saneamento básico, analfabetismo, doenças infecciosas, falta de
moradia e todos outros males terríveis, pode ser a chave da Inclusão
Social, e da salvação do atual modelo capitalista. A inclusão geral tem
de ser uma das metas do novo governo brasileiro. Vamos cobrar e insistir.

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NÃO SOU CHARLIE HEBDO

Nada justifica o terrorismo civil, e nem o de Estado, ambos
devem ser combatidos e desarticulados. Nada justifica o extremismo. A
liberdade de imprensa é uma das bases da democracia. Em minha opinião, tudo
tem limites, e a dose certa é o que lapida o debate e torna-o produtivo. A
liberdade não deve se transformar em libertinagem. A ironia esteve presente
na obra dos grandes filósofos como Sócrates, Platão, Aristóteles, Tales,
Pitágoras e Heráclito. A ironia socrática era antes de tudo o método de
perguntar sobre algo em discussão, de delimitar um conceito e contradizendo-o, refutá-lo de forma alegre e bem humorada, confirmando o
dito popular; “de forma irônica que dizemos as maiores verdades do mundo”. Mas tudo tem limites. “O Pasquim” foi um semanário alternativo brasileiro
fundado pelo cartunista Jaguar e pelos jornalistas Tarso de Castro e Sérgio
Cabral em 1969, em plena ditadura militar. Esse nome, que significa “jornal
difamador, folheto injurioso”, foi sugestão de Jaguar. Reconhecido por fazer
a contra cultura e a oposição ao regime militar, usava e abusava da ironia.
Em meados dos anos 1970, se tornou um dos maiores fenômenos do mercado
editorial brasileiro. Enfrentou os canhões da ditadura e a ira da sensura
sem nunca insultar crenças. Não sou Católico, nem carola, mas sou cristão.
Não me agrada a figura de Jesus Cristo poder ser transformada em piada. Para
mim, que não sou um exemplo, agravaria e seria repugnante caso envolvessem
Sua Mãe Maria em imagens, falas ou textos jocosos … talvez por ser mulher
e mãe. Nesses dias o Papa Francisco, em pleno vôo em uma de suas viagens,
surpreendeu a todos dizendo numa entrevista …”se xingar minha mãe espere
um soco”. O extraordinário líder da Igreja Católica não quis reeditar a Lei
de Talião, que consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena –
“olho por olho, dente por dente”. Na verdade mostrou coragem e arriscou a
informalidade para ser entendido por qualquer ser vivo, não importando
intelecto, idioma, religião. Como era de esperar, enfrentou críticas dos
que aderem a desordem gratuita e sensacionalista. Os fins não justificam os
meios, contrariando Nicolau Maquiavel no Manual de Política “O Príncipe”. O
que se ganha em satirizar a fé? Não importa se a fé é Mulçumana, Cristã,
Judaica, ou nenhuma fé. Não há nada a mais a satirizar? Lamento pelas
mortes por conta da onda de terror despertada na Europa, aliás, mortes dos
dois lados. Parece a nascente de um rio de sangue. Para que tudo isso? O
extremismo deve ser combatido em todas as esferas, assim como a
irracionalidade, a ignorância e o terrorismo. O diálogo precisa voltar, caso
contrário muitos inocentes poderão pagar pela intolerância.

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CAOS AMBIENTAL NA CHINA

Economias vibrantes nem sempre significam mais “progresso”, empregos,
melhores salários e as amenidades que o dinheiro pode comprar. Apesar de
centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo continuarem abaixo da linha
da pobreza, outras centenas de milhões progrediram, sob muitos pontos de
vista, no último século. Este progresso tem um custo ambiental, porque a
medida que o consumo aumenta, é preciso ampliar a área dedicada à
agricultura, construir novas indústrias, estradas e outros meios de
comunicação. É impossível ter isso tudo sem interferir no meio ambiente em
que vivemos. A seguir narrarei o momento socioambiental vivido um dos países
emergentes, trata-se do gigante Chinês. O mundo volta-se ao super
desenvolvimento que esse super País vem passando, assim como o conseqüente
extermínio dos recursos e serviços naturais, bem como suas emissões de gases
que intensificam o efeito estufa, já que essa nação tem 1,3 bilhões de
habitantes, cerca 22 % da população mundial. De fato, o Produto Interno
Bruto (PIB) Chinês, está em mais de US$ 2 trilhões, superado apenas por
Estados Unidos, Japão e Alemanha. Nesse processo acelerado, o setor de
serviços já responde por mais de 40% do produto total e absorve tantas
pessoas quando o setor secundário – conseqüência também da rápida
urbanização, que nas últimas décadas incorporou à população das cidades mais
de 200 milhões de pessoas e pretende incorporar outros 300 milhões em poucas
décadas a mais. É difícil até imaginar o que significara a expansão do
consumo com mais esse contingente urbano, equivalente a uma vez e meia a
população brasileira, mas certamente implicará em forte pressão sobre o uso
do solo, da água e outros recursos e serviços naturais para prover os
alimentos e outros bens que esse contingente deixará de ter no campo, assim
como sobre o consumo de energia – a China responde por cerca de 13 % das
emissões globais de dióxido de carbono e planeja implantar 500 usinas que
utilizarão combustíveis poluidores fósseis. Os dados mais recentes dizem que
mais de um terço do território Chinês já enfrenta problemas graves de
erosão. O país perdeu mais de 1,6 bilhão de toneladas de solo por esse
motivo em 2009, segundo a Agência Xinhua, o que é muito grave, já que a
China com mais de 20% da população mundial, só tem 10% da terra arável do
planeta. Também o sobre uso de água é problemático. A China, segundo o
Ministério dos Recursos Hídricos, consome cinco vezes mais água que a média
mundial. Sozinha, a China já responde pelo consumo de 32% do arroz produzido
no mundo, 47% do cimento e 26% do aço. Mas só tem 8% da água do planeta,
para 22% da população global. O “barco Chinês”é o mesmo que estamos, e aqui
no Brasil temos coisas tão terríveis quanto.

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“Single’ ou ‘blended’?

Os escoceses decidiram, neste último dia 18, permanecer no “clã” do Reino Unido.

Como sói acontecer entre humanos, houve muita discordância, e o “não separa” definitivo foi determinado por somente 55% dos votantes.

85% dos cidadãos “celta-bretões” remanescentes naquele terço norte do reino compareceram às urnas e mais da metade deles referendou a manutenção de uma união profícua que perdura por mais de três séculos.

Ainda bem…

Como numa parceria Lennon-McCartney, tal reino, unido, mudou o mundo numa escala imensamente maior do que a musical…

Winston Churchill disse certa vez que, de todas as nações geográficamente pequenas existentes na terra, talvez somente a antiga Grécia tenha contribuído mais do que a Escócia para o desenvolvimento da humanidade.

Tinha razão…

Além da gaita de foles, melhor tocada de saias (kilt), e do autor de ‘Sherlock Holmes’, Arthur Conan Doyle, a Escócia presenteou o mundo com o chamado “Iluminismo Escocês”, período caracterizado pelo revolucionário surgimento, no século 18, de grandes intelectuais e obras científicas, que catapultou a transformação da vida humana que se conhecia até então.

E o mais surpreendente é que essa ‘luminosidade’ aconteceu num país considerado, naquela época, um dos mais pobres e atrasados do ocidente europeu…

O motor a vapor inventado por James Watt deu origem à Revolução Industrial…

A descoberta da penicilina por Alexander Fleming até hoje salva milhões de vidas humanas…

Adam Smith com seu livro ‘A Riqueza das Nações’(‘The Wealth of Nations’) é considerado o criador da Economia moderna…

Andrew Carnegie, o grande inventor do ‘arranha-céu’, que, a partir do uso do aço nas estruturas dos prédios, mudou para sempre a feição das grandes cidades…

Tentando não se alongar demais na lista dos melhores contribuintes escoceses à civilização, acho que, assim como o vinho e o azeite de oliva, o ‘scotch’ também deve ser terapêutico e inspirador.

E que povo – e reino – unido, jamais será vencido!

“Sláinte”!

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O TERRÍVEL VIRUS ÉBOLA

A “Mama África” há muito é acometida por tragédias múltiplas. Escravidão,
guerras, discriminação, AIDS, e atualmente o vírus Ébola. A Febre
Hemorrágica Ébola ou Febre Hemorrágica Ebola (FHE) é a doença humana
provocada pelos vírus ébola. A pele escurece grudando nos músculos e ossos.
A diarréia e o vômito são constantes desidratando e sufocando. Por conta da
debilidade, os olhos saem do globo ocular, e o indivíduo padece até a morte
agonizante com infecções generalizadas. Os vírus da gripe aviária H1N5 e
suína H1N1 se multiplicam dentre as espécies, mas são transmitidos para
humanos com muita dificuldade e lentidão. Assim como o HIV, no caso do Ébola
a história é outra. A cada ano ele aparece do nada em alguma vila africana,
é transmitido de pessoa a pessoa rapidamente, mata centenas e desaparece. O
Ébola surgiu pela primeira vez em 1976 no Zaire onde o vírus se espalhou e
centenas de pessoas morreram. A velocidade com que a doença se espalha, a
rapidez com que as pessoas morrem e a letalidade superior a 90%, faz com que
o medo desse vírus se espalhe no planeta. Hoje sabemos que o vírus é
transmitido através do sangue ou de outros fluidos corporais, o que permite
conter os focos da doença. Há estudos que sugerem que os morcegos sejam
provavelmente o esconderijo do vírus Ébola. A área onde esses morcegos vivem
coincide com a localização dos focos da doença, o que reforça a teoria.
Nesses dias os casos de febre hemorrágica causada pelo vírus Ébola subiram
para 1323, totalizando 729 mortes em quatro países, Guiné-Conacry, Libéria,
Nigéria e Serra Leoa, com 57 óbitos em apenas quatro dias, anunciou a
Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta é a primeira vez que se identifica
e confirma-se uma epidemia de Ebola na África Ocidental, pois até agora
sempre aconteceram na África Central. Há dias um médico morreu com os
sintomas de Ébola e a OMS advertiu que a epidemia pode se esparramar dentre
os profissionais de saúde, caso não se protejam. A OMS continua a não
recomendar as restrições de viagens e comércio aos quatro países afetados
pela epidemia, porém a comunidade internacional já começa a preocupar-se com
a extensão do surto de Ébola, como um perigo real. O governo britânico já
realizou na semana passada uma reunião de emergência para avaliar a ameaça.
A OMS examina estas medidas e também pretende solicitar contribuições da
Organização Mundial do Turismo (OMT) e do Conselho Internacional de
Aeroportos (ACI). Fruto de desequilíbrio social e ambiental, os vírus aqui
mencionados são pragas contemporâneas que podem comprometer nossa
civilização caso não as controlemos. O homem deveria perder mais tempo em
descobrir curas ao invés de dedicar-se as guerras, falácias e a soberba.

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De banco em banco…

O grande espetáculo do futebol acabou. Ao contrário do esperado, não foi bom nem pra mim nem pra você

A grande massa brasileira – torcedora leiga, agora de voz rouca e mais passiva – saímos tão frustrados que quase deixamos a esperança teimosa nos televisores dos botecos e nos telões das praças, não sem antes de ter xingado todos os xingos e assistido, solidários, aos vídeos dos que xingavam os mais xingados.

À pequena massa dominante, que detém os “pauzinhos”, não foi dado o gozo político da realização da “Copa das copas” prometida.

Os estrangeiros se deram melhor, tanto nas ruas e nas baladas, como nos estádios!

Foi-se o hino a capella, foram-se os atletas devotos e Dalva de Oliveira parou de cantar “Pedro, Antonio e João” com a passagem do mês de junho, mas a “Dança da Quadrilha” não precisa parar, basta mudar o foco.

E o que sobrou de julho foi pródigo nisso…

No front externo, onde sempre há um muro pra ficar em cima, não se tomou posição contra nem a favor, muito pelo contrário – eis que provocar insensatamente a polêmica com os “sapos de fora” atrai multidões de incautos “de dentro”, como as moscas o mel, ainda que adulterado.

E o eterno conflito entre Israel e Palestina tem servido a deuses e a demônios, independentemente do dobrar dos sinos e do arrastar das correntes.

Recepcionamos com pompa o pessoal do BRICS, aquele grupo de nações chamadas emergentes(Brazil, Russia, India,China, South Africa) e mandamos despautérios ao FMI, esse sempre disponível vilão, que já pensava em mudar a sigla pra RICS.

Recebemos a Rússia e seu Putin mal visto pelo mundo civilizado por sua conduta em relação à Ucrânia.

Entre outras coisas, o peregrino Putin quer reforçar os antigos laços soviéticos com Nicarágua e Cuba – de quem acaba de estornar 90% do débito de 35 bilhões de dólares – pra ficar mais perto do Obama.

Quer também vender tecnologia nuclear pra falida Cristina Kirchner e mísseis antiaéreos pra nova amiga Dilma Rousseff.

Tivemos também a visita do Secretário Geral do Partido Comunista da China e presidente chinês, Mr Xin Jinping.

Com impressionantes reservas derivadas de suas exportações, Jinping encontrou-se em Brasília com representantes do CELAC (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), composto de 33 países da região.

O comércio da China com a América Central e Meridional aumentou 20 vezes nestes 14 anos do século 21, e tem prevalecido a troca por matéria-prima, desde petróleo venezuelano a minérios brasileiros, lastro de empréstimos bilionários aos melhores clientes dos produtos acabados chineses.

No palco doméstico, mais receptivo à pantomima e ao lero-lero do “vem cá que eu também quero”, a via sacra do santo de pau oco segue do banco proibido de fazer previsões de mercado a seus clientes à pose contrita nos bancos do Templo de Salomão no grande culto de egos…

Pelo que mostrou julho, “o pau vai comer muito” nesses próximos meses. Tomara que consigamos interromper a comilança unilateral nas eleições de outubro!

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A sexta-feira 13 dos espanhóis

Em pleno calor da disputa (no sentido que se quiser) que se desenrola no Brasil, tentando atrair algum leitor nestes dias tão conturbados em que poucos devem estar lendo alguma coisa que não seja sobre a Copa do Mundo, resolví aderir e discorrer sobre a “FIFA World Cup” vista pelas câmeras do Tio Sam – mais especificamente pelas lentes da ESPN

Quanto à cerimônia de abertura na quinta-feira, o assunto me parece ter sido esgotado – piedosamente ou não – pelo pessoal da Internet.

Do jogo inaugural do Brasil contra a Croácia, com aquele emocionante hino nacional a cappella, as falhas técnicas, os conselhos da torcida à Dilma, a garra de Oscar e David Luiz, o desempenho redentor de Marcelo, o nosso moleque Neymar, o pênalti no Fred – com o que concordei, porque alguém deveria ter avisado aquele nosso amigo beque croata que abraço no centro-avante é coisa de celebração de gol – e a gostosa vitória, também já se disse tudo.

Sobrou a sexta-feira – e que sexta! – em pleno dia de Santo Antonio…

No Arena das Dunas, Natal, em clima de chuva, suor e cerveja – que faturar é preciso, mostrar balanço é lá com a Bolsa de Valores! – os baixinhos pesos-pena mexicanos, que tinham “Guardado” e não o mostraram até o final do jogo, insistiam em fazer gol nos gigantes camaroneses e os árbitros teimavam em anular.

O México, jogando jogo rasteiro e cheio de rasteira – e também apanhando muito! -acabou vencendo Camarões, num rebote oportunista e indefensável de Peralta, que nem aquele bandeirinha conseguiu invalidar.

Enfim, um jogo duro de jogar e de assistir…

No Arena Pantanal, em “Cuiaba”, a seleção australiana sofreu com a dobradinha Sanches & Valdívia, e os chilenos – jogando um pouco com os pés e um pouco com as mãos – colocaram os “aussies” na rodinha durante todo o primeiro tempo.

No segundo, todo mundo cansou, incluindo os que assistiam, e deu a lógica, ou seja, a vitória chilena por 3 a 1…

Agora, o que ficará para sempre na história das copas e das sextas-feiras 13 foi a “Holanda-do-carrossel”  reencarnada vingar o touro contra os espanhóis, ou melhor, a final de 2010 na África do Sul, quando os holandeses perderam por um a zero na prorrogação.

No Arena Ponte Nova, em Salvador, o estilo “toureiro fidalgo” da favorita a levar a taça sucumbiu ao jogo bruto e eficaz do “vingativo touro”…

Numa batalha em que valeu até cotovelada do holandês Guzmán no fígado do espanhol Alonzo e cabeçada do espanhol Diego Costa no holandês Bruno Martins Indi , a Espanha parecia jogar com medo e cometia erros primários, muito bem aproveitados pelo algoz.

Mesmo assim, dominou a maior parte do primeiro tempo, marcando o primeiro gol num pênalti discutível em Diego Costa aos 26 minutos.

A partir daí, o time holandês – que de ‘loirinho” só tinha o goleiro Jasper Cillessen – assumiu o controle da corrida de toros, protagonizada pelo incansável “vovô” de 30 anos Robben e seu contemporâneo parceiro Van Persie, energizado como um garoto de 20 anos…

Jogo de se assistir suspenso no ar até o ultimo segundo, tamanha a imensa vontade de jogar futebol de ambos os lados!

O time espanhol errou mais e o holandês soube usar melhor as falhas do adversário.

Como um simples admirador pretensioso de futebol, eu acho que isso foi o que causou a goleada naquele jogo com jeito de final, onde a vitória ou a derrota quase sempre dependem mais dos erros do que dos acertos – eis que a capacidade dos times que se qualificam e a vontade de vencer são as mesmas! – e da bola querer entrar.

Em todo caso, se eu fosse torcedor espanhol, teria sugerido que tivessem deixado o Diego Costa vestindo uma camiseta do Brasil na arquibancada – inspirados pela decisão duvidosa do Felipão em relação ao Kaká….

Talvez não tivessem atraído a ira dos orixás na Bahia-de-todos-os-santos!

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Ainda a Torre de Babel…

Diz a lenda que a estratégia utilizada pelos deuses pra impedir a concorrência dos humanos no acesso à divindade – e, pelo entendimento, união e harmonia, de tudo serem capazes – foi tornar a sua língua incompreensível entre si.

No raciocínio das divindades, a comunicação reprimida condenaria os homens a viverem em pequenas e insignificantes tribos que se repeliriam umas às outras como o betume e a água salgada do Mar Morto.

A recente crise russa envolvendo Ucrânia e Criméia parece ser o reflexo da vez daqueles dias lendários, como têm sido desde sempre na amorfia do problema palestino; naquelas nações confinadas “numa tal de Iugoslávia” que um dia existiu; nas diferentes Irlandas; nos “bascos”, nos “curdos” e nos “ciganos” errantes de todas as raças, forçados a coexistir em todas as fronteiras – mais políticas que geográficas – do mundo…

A Ucrânia, um país de 46 milhões de habitantes, tornou-se independente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – a antiga USSR um dia cantada pelos Beatles – no final de 1991 com base num plebiscito em que 90% da população assim o decidiu.

Ainda hoje, os ucranianos são um amontoado de mais de 15 etnias diferentes que falam “grego” entre si, especialmente do sudoeste ao sudeste da nação, áreas mais distantes da fronteira e do idioma russo.

Uma das poucas coisas que muitos ucranianos têm em comum é a noção de que seu país é um dos chamados Estados Independentes, e não mais uma daquelas antigas Repúblicas da União Soviética.

A Criméia, parte sul do território ucraniano e com uma população de pouco menos de 2,5 milhões de habitantes, é uma península que lembra uma ilha quase isolada no Mar Negro, de acesso tão fácil aos russos pelo leste quanto aos ucranianos pelo norte.

E a presença russa – civil e militar – tem sido mais intensa, talvez pelo clima mais quente e pela localização estratégica da região.

Aproveitando-se a transição de governo, anunciou-se mais um plebiscito, no qual 95% dos crimeianos decidiram no último fim de semana – aparentemente se entendendo na sua língua tártara com muito menos dialetos – que gostariam de voltar a fazer parte da velha mãe Rússia, para o bem ou para o mal.

Para o Kremlin, a anexação foi fácil e indolor…

Primeiro, porque as forças russas já estão legitimamente estacionadas na Criméia, não só com a sua Frota do Mar Negro, mas com diversas bases militares instaladas por toda a península.

Segundo, porque tal anexação era uma aspiração antiga da maioria da população, de predominância – etnica e culturalmente – russa, o que ficou evidenciado no referendo.

Terceiro, porque o governo interino em Kiev, ainda em fraca formação, não oferecia nenhum risco de qualquer reação.

A Putin, o caçador topless de tigres e quem, da Ucrânia, só simpatiza com as meninas do Femen, só restou capitalizar com a consumação da anexação pretendida pelo soberano povo da Criméia.

Afinal, o povo, ainda que use a linguagem dos sinais, é quem deve decidir sobre o seu destino, mesmo que sob os protestos eventuais da minoria inconformada e barulhenta… 

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Além do Oiapoque e o Chuí

Quando a crise na Europa estava no auge, a Grécia foi chamada, ao mesmo tempo, de ovelha (negra) e de bode (expiatório) pelos demais membros da União Europeia.

Afinal, os gregos e os seus problemas não tinham a menor semelhança com  aqueles do resto do velho mundo…

Do lado de cá do Atlântico o mundo novo envelhece igual e elege seus correspondentes bois de piranha da vez: a Argentina e a Venezuela.

Com a anuência de seu povo, cuja voz, dependendo da fé, deveria ser a de Deus, esses dois países vêm se fartando na fartura finita de suas commodities;los hermanos nos seus grãos e a terra dasmisses no seu petróleo.

Ambos têm intervindo com seus bancos centrais e com medidas administrativas visando impedir a queda de suas moedas e a ascensão da inflação.

Na Argentina, a inflação real beira os 30%, e o dólar no mercado paralelo compra 70% mais pesos do que comprava no meado de janeiro.

Na Venezuela, 2013 se encerrou com uma inflação de quase 60% e o dólar no mercado negro custa sete vezes mais bolivares do que na taxa oficial.

A mezinha costumeira de usar as reservas pra desaquecer a demanda por dólares tem custado aos dois países reduções violentas de seus lastros em ouro e moeda estrangeira, conseguidos a duras penas via exportação – cada vez menos rentável, em volume de dólares – daquelas suas commodities, detonando um círculo vicioso de dificílima reversão.

A recente decisão do governo de autorizar os argentinos com renda superior a 900 dólares mensais a adquirir dólares com até 20% do seu salário, à taxa oficial do câmbio, aliviou a pressão nas reservas.

O dólar é transferido para a conta bancária do comprador, que é penalizado com 20% de taxa administrativa se fizer qualquer retirada antes de um ano a partir do depósito.

Considerando-se que somente 1/3 dos argentinos superam o patamar de renda que permite comprar dólares no câmbio oficial e que, mesmo pagando mais 20% pelo saque imediato, ainda sai mais barato que no mercado paralelo – acrescentado o medo de que a desvalorização do peso leve a mais inflação – as medidas têm surtido menos efeito que o esperado.

Mas o governo argentino tem se revelado disposto a não dar folga ao crescimento descontrolado da inflação.

De um lado, seu banco central acaba de aumentar em 6 pontos percentuais uma de suas taxas referenciais de juros, embora a média dos juros ainda permaneça abaixo da inflação – pelo menos nos números.

De outro, não parece haver interesse pela reposição integral da inflação nos reajustes dos salários do trabalhador argentino – a serem negociados em março e abril – diante da alegação de que aumento de preço não reposto no salário é o melhor redutor de preços que existe (acho que nós lhe ensinamos isso…).

Embora o peronismo populista – inesgotável, por mais que se malversem os recursos! -imponha gastos incompatíveis com o procedimento econômico, a Argentina deixa vislumbrar a possibilidade de retorno à normalidade, nem que seja só esperança vã…

O venezuelano, o vizinho do norte, vai precisar de esperança muito mais audaz, visto que seu governo resolveu contestar até o Adam Smith, o pai da economia moderna!

Entre outras atrocidades, resolveu, no câmbio, taxar o dobro nas transações não-essenciais, sejam lá elas quais forem.

A taxa menor (metade da não-essencial), hoje em torno de 6,3 bolívares por dólar, se aplica às importações do governo e de itens básicos como comida e remédio.

No tratamento ditatorial aplicado na defesa de sua moeda, o governo chavista reduz ainda mais a sua reserva de dólares e desperta o medo do calote puro e simples entre os seus credores, incluindo companhias aéreas internacionais, que recebem bolívares pelas passagens vendidas e têm que trocá-los por dólares no sistema financeiro.

Já se sentem os efeitos, de Maracaibo à Isla de Margarita:

Algumas companhias aéreas passaram a impor enormes restrições à venda de passagens; outras simplesmente suspenderam as vendas.

Muitos medicamentos e partes de equipamentos médicos desapareceram; peças de automóveis, incluindo baterias, estão cada vez mais difíceis de achar; jornais – debilitados pelo excesso de censura – fecharam de vez por falta de papel.

O governo – claro! – culpa a atividade privada e o cidadão ordinário pelo uso irresponsável de moeda estrangeira e ordenou cortes drásticos no porte de dólares aos viajantes, especialmente os que se destinam a Miami.

O envio de dinheiro a parentes no exterior também foi reduzido significativamente.

Num lampejo despótico – e, portanto, estúpido – de conter a inflação a la sarney, acaba de determinar que as companhias só podem ter 30% de lucro sobre os seus custos.

E ameaça prender e arrebentar os transgressores…

Ao Brasil, que, aparentemente, só tem vizinho bom do outro lado dos Andes, fica difícil exercer a política da boa vizinhança com os demais sem ser afetado negativamente pelas dificuldades econômicas que os afligem.

No lado político, apesar dos obstáculos geográficos, os latino-americanos somos muito parecidos e, de certa forma personalizada, em geral decidimos quem deve nos governar.

Por acá, com a nossa gerenta perdendo o suporte, começam rumores sobre a volta prematura do Grande Amigo Pajé e de suas parábolas de baixo calão, eis que o importante é eternizar a ditadura partidária, apesar dos tiros no pé, mantendo os ratos na mesa principal e a galera animada nos porões… Sem bom senso, sem palavras e sem pena – e sem participação na sua própria história!

Será que resolvemos procurar, deliberadamente, aquele fim prometido pelo guru indiano, onde tudo daria certo?

 

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