Não somos só nós

A educação é o que de mais importante existe para ocupar todas as pessoas lúcidas. Não por acaso, a Constituição da República declara que ela é responsabilidade do Estado e da sociedade. Ninguém está dispensado de participar de seus rumos e de contribuir para aprimorá-la.

Embora estejamos num ranking extremamente frágil no confronto com outros países, não somos só nós, brasileiros, que temos nosso calcanhar de Aquiles. A nação mais poderosa do planeta, os Estados Unidos da América, há alguns anos, apuraram que os fundamentos educacionais de sua sociedade estavam sendo erodidos por uma crescente mediocridade que ameaçava o seu futuro como Nação e como povo.

Os danos eram tão intensos e tão extensivos que a nação estava em severa desvantagem no mundo do mercado. País símbolo do capitalismo, a preocupação era maior porque a deficiência educacional poderia limitar o futuro da economia e da produtividade americana.

A diferença entre Estados Unidos e Brasil é que lá existe uma consciência que sensibiliza todas as pessoas, instituições, entidades e grupos. Aqui, na terra do “Estado-Babá“, a responsabilidade é toda do governo. Lá, todas as lideranças juntaram forças para articular uma nova agenda para a educação pública. Algo que já construiu consenso foi o entendimento de que as relações entre as escolas e a força de trabalho é fundamental. A escola tem obrigação de preparar os estudantes para o mundo do trabalho.

E o mundo do trabalho nunca foi tão variado, multiforme e desafiador. Infelizmente, o Brasil não leva muito a sério a técnica e ainda raciocina em termos de “doutor”. Daí a inundação de bacharéis em direito, ávidos todos por vencer na vida a disputar um concurso para carreira jurídica ou para inflar o Judiciário de processos inócuos e que não deixam a Justiça funcionar.

Nos Estados Unidos, acreditou-se que a educação é a fórmula de inclusão social, não a concessão de benefícios materiais, bolsas e outros auxílios que só constroem dependência. Um currículo comum para crianças de todas as situações sociais e econômicas é a receita para a edificação de uma pátria solidária. Está demorando para que essa consciência chegue também aqui.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 28/02/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail:imprensanalini@gmail.com.

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Discurso de posse na Secretaria de Estado da Educação

Deste tempo múltiplo, o que nascerá?1

Muito há de nascer, pois o solo é fértil e muitos semeadores têm trabalhado nele.

A educação representa a chave para a resolução de todos os problemas brasileiros. De todos, sem exceção.

Povo educado edifica a Nação, complexo de imanências e transcendências que reclama protagonismo. A exuberância de direitos da República obscureceu o capítulo dos deveres, das obrigações e da responsabilidade.

O poder constituinte, o único que tudo pode em nome do povo, do qual emana a integralidade do poder e da soberania, declarou a educação direito de todos2. Processo contínuo, sem termo definitivo. Até o último dia de existência temos o que aprender. É um repto a todos nós: somos, a um tempo, educadores e aprendizes. Ao aprender, ensinamos. Ao ensinar, aprendemos.

Mas esse direito de todos é dever do Estado e da família. Dever solidário. Não é o governo o único responsável pela missão educativa. A educação será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade3. Todos somos responsáveis pela educação no Brasil.

O Poder Público faz sua parte. Mantém uma estrutura gigantesca, dispõe do trabalho heroico de professores e pessoal que compõe a imensa administração dessa máquina de cidadania. Porém é imprescindível se intensifique a participação da família e da sociedade.

A conclamação de todos para o aperfeiçoamento do sistema é fundamental para que São Paulo possa oferecer resultados ainda melhores do que os já obtidos, mercê do empenho de tantos.

O Plano Estadual de Educação é bem elaborado e ambicioso. Oferece diretrizes suficientes para que a vontade do povo, traduzida no pacto federativo, tenha integral atendimento. O pleno desenvolvimento da pessoa contempla o compromisso de se investir em suas competências, habilidades, aptidões. A criatividade é um valor que requer urgente reconhecimento na escola pública e as avaliações tradicionais, como o Pisa, já se submetem a redesenho para aferir habilidades não cognitivas. A juventude é ávida e sequiosa de participar ativamente desse processo.

O Governo GERALDO ALCKMIN, pioneiro no e-governo, com performance ótima em tantos setores, dispõe de todas as condições para propiciar ao alunado já com expertise e vivência nas comunidades virtuais, o acesso às tecnologias que em todo o mundo ensinam a partilha. Auxiliam primeiro a comunidade mais próxima. Em seguida, são multiplicadoras que inspiram sua geração a transformar o mundo.

Garantir o acesso à informação e seu debate, favorecer o exercício da democracia interna, respeitar o sonho da juventude é prepará-lo ao adequado exercício da cidadania4.

O Brasil precisa de profissionais bem formados e aptos ao desempenho de novas modalidades laborais e a escola pública é o espaço predestinado a qualificar o jovem para o trabalho5. Trabalho que, além da essencial dignidade, satisfaça as aspirações de uma geração que não nasceu para a burocracia, para as tarefas repetitivas e desprovidas de sedução.

A Constituição oferece amplas perspectivas para a missão apaixonante de educar. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo tem uma trajetória eloquente de protagonismo reconhecido em todo o Brasil. Tradição que será respeitada e preservada. Com incremento do diálogo. Servidor da Justiça, já introjetei em meu íntimo a observância do contraditório. Ouvirei a todos, com a humildade que é filha da verdade.

Agradeço o trabalho de quantos por ali passaram, a começar pelo Secretário Herman Voorwald, a Secretária interina Professora Cleyde Bauab Eid Buchichyo e sua valorosa equipe. Sou reconhecido a quantos ali continuam e continuarão, conclamando-os a perseverarem na missão.

Como cidadão que reverencia o educador acima de todas as demais ocupações, agradeço ao Governador GERALDO ALCKMIN a oportunidade que me concede para continuar a oferecer ao meu Estado e à minha gente a minha disposição, o meu tempo integral, a minha devoção à causa pública e a certeza de que São Paulo persistirá na vocação bandeirante de realizar o melhor, mercê da força de seu povo. Preciso de todos. A educação clama pelo interesse legítimo de todos. Ninguém está excluído de colaborar. É um direito cidadão, mas é muito mais um dever cívico, patriótico e mesmo heroico.

Deste tempo múltiplo, complexo e desafiador, boas coisas continuarão a nascer. Para isso contamos, acima de tudo, com a presença do Criador. “Onde Deus mora? Mora onde o fazemos entrar6. Anima-me a certeza de que ele encontrou morada no coração de todos nós. Que continue a nos iluminar e a nos conduzir a todos.

1 Orides Fontela, 1940-1998, poeta paulista.

2 Artigo 205, caput, da Constituição da República.

3 Idem, ibidem.

4 Segundo objetivo da educação brasileira, de acordo com o artigo 205 da CF.

5 Terceiro objetivo da educação brasileira, de acordo com o artigo 205 da CF.

6 Martin Buber, 1878-1965, filósofo israelense.

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Educação e Trabalho: uma conexão necessária

O Brasil é competitivo em muitos setores, como a exploração de petróleo e gás em águas profundas, a produção de grãos e carnes e bioenergia – condição alcançada em consequência do desenvolvimento de conhecimentos dirigidos a questões bem definidas, com investimentos continuados, articulação entre o setor público e o privado, e de uma base de formação de recursos humanos, capaz de implantar e sustentar sistemas produtivos e realimentar o ciclo de produção de conhecimentos.

Mas o país não é sistemicamente competitivo. Em outras palavras, as virtudes presentes nos setores mencionados não se estendem a toda a economia. É certo, há fatores limitantes de todo tipo: na infraestrutura, no sistema tributário, na regulação, no ambiente de negócios e assim vai. Destes fatores precisam ser destacadas as carências educacionais, que manifestam-se na economia como escassez de recursos humanos capazes de dar conta de tarefas de toda ordem no mundo do trabalho. Pelas características do processo educacional, como a sua longa duração, natureza cumulativa e capacidade de estimular o desenvolvimento cognitivo das pessoas, a educação tem reflexos muito mais profundos sobre o desenvolvimento social e econômico do que qualquer outro fator.

Por isso, quando a competitividade do país é apontada como elemento chave para um novo ciclo de desenvolvimento do país, como citou a Presidente Dilma Rousseff em seu discurso após a divulgação dos resultados eleitorais de 2014, e como citam economistas e empresários, a definição do papel estratégico da educação é uma decorrência imediata. Daí, o lema Brasil, Pátria Educadora.

O contexto histórico em que este quadro se inscreve é o de uma sociedade em que o conhecimento assume a posição de mais importante força estruturante, determinando rápidas mudanças nos comportamentos sociais e na produção, em que a inovação torna-se cada vez mais relevante. E, como consequência, exigências de maior capacidade de adaptação, de uso de sistemas e aparatos sofisticados e de inserção num mundo cada vez mais complexo em termos de cultura, diversidade e dos demais elementos que permeiam a vida cotidiana. É evidente que todas estas demandas afetam o que se espera da educação. E que o seu reflexo mais visível seja a ampla percepção da importância do aumento da escolaridade de toda a população, inclusive como instrumento indispensável em todos os elos das cadeias produtivas. E que a necessidade de educação permanente seja estendida a todos.

O Brasil não será sistemicamente competitivo nem uma potência da nova economia sem educação de boa qualidade. A boa educação, que permite formar a pessoa para desenvolver os seus potenciais e inscrever-se nos círculos da cidadania, mas também a educação para o trabalho, que organiza a vida e confere dignidade. A educação básica, que fornece as competências para decifrar e utilizar os códigos que organizam o mundo, incluindo as tecnologias contemporâneas, e também para compreender a natureza e a sociedade, é o primeiro extrato da educação para o trabalho. E, de longe, a mais importante. Inclusive porque permite desenvolver as competências básicas para a vida prática, como as competências relativas à comunicação, à organização, à apreensão de informações, ao estabelecimento de relações, à extração de conclusões e à atuação em equipes. E que deve ser complementada, é certo, por estratégias próprias para a preparação para o trabalho, como a educação profissional e os estágios.

Mas aqui surgem dois grandes desafios. O primeiro, a dificuldade conceitual para admitir que o processo educacional deve formar, sim, para a vida, mas isso inclui a formação para o trabalho, que é ingrediente fundamental da vida. Por esta dificuldade, a educação é hierarquizada, e a formação para o trabalho permanece numa posição baixa na formulação dos processos educacionais e no imaginário de quem tem como horizonte os níveis educacionais mais altos. Naturalmente, isso se relaciona com outros fenômenos sociais, que determinam uma hierarquia inferior para as atividades laborais consideradas menos nobres. O segundo, evidentemente relacionado ao primeiro, a incompreensão de que o trabalho educa por si. Daí decorre a separação temporal entre a educação geral e a educação para o trabalho, ficando esta etapa sempre deixada para depois da conclusão da primeira. E também a desvalorização, na sociedade brasileira, das experiências de trabalho como ferramentas pedagógicas. Além da fixação cultural de um momento de transição entre a vida de estudante e a vida no mundo do trabalho. Se as exigências de educação permanente ao longo da vida adicionam educação ao exercício do trabalho, porque o trabalho não deve ser exercitado em etapas anteriores do processo educacional? Que sentido tem uma transição brusca entre educação e trabalho na vida das pessoas?

A escola não pode competir como o futuro, tem que ajudar a construi-lo. Por isso, a conexão entre educação escolar e trabalho é fundamental. É preciso abrir espaço para concepções, metodologias, experiências e processos avaliativos que produzam e reforcem esta conexão. E dar a devida importância às evidências: não é sem razão que muitos dos mais bem sucedidos estudantes nos níveis educacionais mais altos foram aprendizes, estagiários ou passaram por escolas profissionais. Histórias parecidas com as de muitos grandes profissionais.

 

*publicado originalmente na Revista Alma Mater no 4, ano 2, abril/2015.

 

 

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Acordem, educadores!

Um dos raros consensos no Brasil do dissenso é a falência da educação. Por mais que se destine verba considerável para a formação das atuais e futuras gerações, a República parece claudicar em todos os níveis. O retrocesso é evidente. Há algumas décadas, a escola pública era tão boa que os menos aplicados procuravam a escola particular. Hoje, só fica no ensino público aquele cujos responsáveis não conseguem arcar com os crescentes custos de uma escola considerada boa.

O fenômeno é muito mais grave do que possa parecer. Não é apenas falta de metas e objetivos. O que visa uma boa escola? Fazer o aluno decorar informações e responder como papagaio às indagações? Ou uma educação integral cuidaria de formar pessoas felizes e capazes de um desempenho ideal em sua existência, tanto no aspecto emocional, familiar, social e profissional?

A escola é maçante. O aluno não gosta dela. Os professores estão desanimados. Já não têm paixão, ao menos em sua maioria, como eram idealistas e entusiastas os educadores de outrora. Pior ainda, os pais não se interessam pela educação de seus filhos. Parecem acreditar que o governo é que deve zelar pelo seu bom comportamento e pelo seu sucesso. Mas é no lar, na mãe educadora, no pai disciplinador, que tudo começa.

A Coreia passou por conflitos sérios e deu a volta por cima porque levou a sério um projeto consistente de revolução educacional. A China também. E tantos outros países.

Não é falta de dinheiro. É falta de projeto. É ausência de originalidade. No entanto, há modelos que poderiam ser copiados, como o da Universidade Minerva, em São Francisco. Ela não tem salas de aula, nem biblioteca. As aulas são on-line, por meio de plataforma exclusiva, com horário marcado e professor em tempo real. Professor que não é um replicador de textos, mas um animador, um coordenador dos debates. Ao menos duas vezes por encontro, os alunos têm de expor suas ideias.

O neurocientista Stephen Kosslyn, um dos diretores, resume o objetivo do projeto: “A ideia é desenvolver a capacidade de pensar criativamente, criticamente e de se comunicar de maneira efetiva”. Enquanto isso, temos muitos analfabetos funcionais recebendo diploma nas várias graduações universitárias. Que tal acordar para as urgências do mundo?

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EDUCAÇÃO FALINDO

A CNNB diz que o Bolsa-Família vicia. O governo diz que não. Eis ai o novo
debate sobre “tóxicos e dependência”. Os dois lados precisam ser corrigidos
nas afirmações que fazem. É que o programa do Bolsa-Família não vicia o
povo, mas o governo. O populismo não vicia quem recebe, vicia quem dá. Esse
tipo de política social descabelada gera bolas de neve. Quando optamos por
dar as coisas de mão beijada, temos de perceber de quem recebeu pode muito
bem não entender para que, de fato, recebeu o que foi dado. E quem deu, com
o tempo, esquece para que foi feito o esforço inicial. As conseqüências
dessa forma arcaica de fazer política aparecem cedo ou tarde e atingem todos
os setores sociais do Estado. Elas já estão encadeadas para surgirem no
âmbito da educação. Quando chegarem, terão a cama preparada. Estamos
assistindo à piora do ensino na maioria das universidades, de modo mais
acentuado a partir de 2004. Afinal, para que as universidades vão querer
formar gente realmente qualificada? Sim, pois o estudante do ensino
fundamental gerado pelos programas do tipo Bolsa-Família, do modo como este
está sendo feito, não será boa coisa – sabemos bem. Então, é necessário
preparar o ensino superior para receber tal estudante. O que a falta disso
implica? “Povo despreparado, da forma que provavelmente o governo Dilma
deseja. Tudo no pior estilo do velho Mobral da ditadura militar. Não poderia
ser de outra forma, pois as crianças do programa Bolsa-Família logo estarão
crescidas. Tais crianças estão apenas sendo usadas pelas famílias para obter
a esmola. Não há nenhum programa pedagógico especial para elas. Continuarão
sendo desconsideradas enquanto estudantes e, ao final, sua escolaridade não
lhes dará nada, em termos de conhecimento, além do que eles já teriam.
Todavia, terão um diploma. Legalmente, serão candidatas ao ensino superior.
Então, vão precisar se titular no âmbito de um ensino superior facilitado, o
único que conseguiriam levar adiante. Assim, tudo se encaixa. Burrice, para
não precisar construir grandes discursos. Nunca obtive bons frutos de
caminhos desimpedidos e simples. O Governo Dilma deve dedicar-se a construir
bases sólidas no ensino fundamental. De cara colocar as crianças nas salas
de aula, impedindo sua evasão. Num segundo momento, deve calcar o ensino
médio nos cursos técnicos, historicamente base do progresso de muitos
países. A universidade é importante à medida que cuida da produção
científica e não da produção de diplomas, ou de políticas esdrúxulas
travestidas de políticas sociais. Mas o errado se faz porque a política
desse governo consiste em nivelar por baixo, por exemplo, distribuindo
diplomas universitários a todos, independentemente das quimeras que
colocarão no mercado, que para este governo está de bom tamanho.

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EDUCAÇÃO E ESCURIDÃO

Ainda não há muito a comemorar na educação. Apesar da Presidente Dilma
propagar com otimismo e causar a impressão de que crescimento econômico é
solução para tudo, o enriquecimento do País seria desfrutável por poucos, ou
seja, por aquela parcela de população que teve a sorte de receber melhor
formação escolar a se preparar para o mercado de trabalho. A maior parte dos
problemas de nosso País, criminalidade, corrupção, políticos canalhas,
políticas pífias vem da falta da educação. Falo de um estagio básico, aquele
que deveria vir da família. Gastamos quase R$ 30 bilhões com um torneio de
futebol, construímos elefantes brancos e não temos coragem política para
investir em educação. A condenação à escuridão intelectual que estamos
impondo às crianças brasileiras, por falta de melhor escolarização, talvez
seja a mais cruel das penalidades, porque atinge não apenas elas próprias,
como também o País em que viverão quando se tornarem adultas. Nem o mais
desumano entre os códigos penais conseguiu a proeza de inserir em seu rol
este castigo. A ignorância, nada surpreendente, que o mundo exterior começa
a conhecer de nosso país deve ser motivo de vergonha para nós todos, mas,
especialmente, para os governantes, que se mostram preocupados em olhar mais
para o próprio umbigo do que para a nossa realidade, extasiados com eles
mesmos e propagando a toda hora, fundados em estatísticas bem manipuladas,
que Deus é brasileiro e o Brasil caminha às mil maravilhas. Numa visão das
mais forçadas, é reconhecer que o Brasil de hoje já é a clara conseqüência
do descaso com que foi tratada a educação desde há décadas. A coragem com
que a Coréia do Sul, destroçada por uma guerra, se dispõe a resolver o
problema – e o resolveu – deveria ser um exemplo para os nossos governantes.
É incrível que essa experiência fantástica, que em pouco tempo transformou
aquele país, antes tão atrasado como o nosso, em nova potência econômica do
mundo, não seja aproveitada no Brasil. Enfim, não pode estar bem um país
onde a grande maioria das pessoas vive na escuridão de conhecimentos,
prestando-se, sem ter consciência disso, a sufragar nas eleições políticos
que acabam disputando as manchetes com os piores criminosos. Cidadãos
instruídos não se deixam iludir por alguns trocados mensais que programas
populistas como o “Bolsa Família” distribui para anestesiar as consciências.
Hoje o Brasil não é o um País de todos como alardeia o governo Dilma.
Educação de qualidade e o voto consciente o farão.

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Quem quer faz

Todos sabem que a educação no Brasil está um desastre. Nada obstante seja indiscutível que ela é o maior problema brasileiro, continuamos a tatear em uma absoluta ausência de estratégias exitosas. Não é falta de verba. É o seu mau emprego. É a desvalorização da carreira de professor, não só pelos salários, mas ainda pela falta de respeito que não sensibiliza os pais. 

Houve tempos em que o mestre era uma autoridade. Hoje, é um ser ameaçado de exoneração ou, mais ainda, temeroso de apanhar dos alunos. Ou de seus pais, porque estes pensam que por pagarem a escola, são patrões dos professores.

Mesmo assim, há quem resista. E o faz heroicamente. Um deles é Braz Rodrigues Nogueira, que consertou uma realidade em Heliópolis. É diretor da Escola Municipal “Presidente Campos Salles”, em São Paulo. Chegou lá em 1995 e encontrou a violência disseminada. A praça diante da escola era mercado de drogas e cenário de estupros. Havia agressões físicas entre alunos todos os dias. Em 1999, uma aluna foi assassinada. Foi aí que o professor Braz iniciou caminhadas pela paz nas ruas e investiu num programa de aproximação do colégio com a vizinhança. 

Trouxe os pais para discutir melhorias. Eles começaram a se interessar pela escola. Em 2002, houve um furto de 21 computadores. Alertou a vizinhança e eles foram devolvidos. Em 2010, inaugurou o Centro de Convivência Educativa e Cultural de Heliópolis. 

Foi um homem só que, a partir de um sonho, conseguiu motivar a comunidade. Isso pode fazer a diferença. Por que há escolas em bairros pobres que não são pichadas,  há um clima de camaradagem, as pessoas são mais felizes do que em outras regiões semelhantes? É a vontade de diretores ou professores que ainda acreditam em sua missão. Claro que ninguém é inocente nessa questão educacional brasileira. Estado, sociedade, família e indivíduos têm responsabilidade. 

Mas o exemplo de Braz Rodrigues Nogueira evidencia que a maior receita é a vontade. Quem quer faz a diferença. Quem não quer, continue a lamentar e a esperar que ocorram milagres. Pois só milagre para salvar a política pública da educação brasileira. 

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Tudo bem, sem novidade

Quando criança, havia uma lição do “Livro de Leituras” do curso primário, que tinha esse título: “Tudo bem, sem novidade”. Narrava as aventuras de um estudante brasileiro que, ao chegar de Coimbra nos tempos imperiais e encontrar seu cocheiro com a carruagem a esperá-lo, pergunta como vão as coisas e o empregado responde sempre com essa frase. Só que não era bem assim. 

A família falira e os pais tinham morrido. Tudo estava péssimo, porém para o subalterno, tudo continuava na mesma. Isso me faz lembrar a situação brasileira atual. Vejo lojas fechando. Alguns municípios minguando, com sua população jovem partindo para outras plagas, ante a falta de perspectivas. Uma crescente ocupação dos espaços públicos por “moradores de rua”. 

Violência explícita em crimes cada vez mais cruéis, violência implícita em todos os relacionamentos. Excesso de veículos, de poluição, de comprometimento do ambiente, perda da biodiversidade. O Brasil nos últimos lugares do mundo em termos de qualidade de vida, de excelência da educação. Descrença na política. Generalização na desconfiança de tudo o que é exercido em nome do governo.

Será excessivo pessimismo enxergar esse quadro, quando se verifica o ufanismo da propaganda oficial, eufemisticamente chamada “comunicação social”? É verdade que o Brasil conseguiu tirar da miséria milhões de brasileiros. Também não é menos verdadeiro que vivenciamos um período de tranquilidade institucional. Frágil e incipiente, a Democracia brasileira parece ter vingado. Desde 1985, não temos autoritarismo.

Mas é preciso estar vigilante. Em volta de nós, há um retrocesso democrático. Governos democraticamente eleitos se convertem ou, melhor se diria, se pervertem. Querem eternizar-se. Consideram-se insubstituíveis os líderes populistas. E só conseguem permanecer nas alturas se, ao mesmo tempo em que cultivam os áulicos, tentam destruir os adversários.

Não se vive o melhor dos mundos. Não se pode descansar sobre aparentes vitórias. A preservação da liberdade e a conquista de nível adequado de vida para os brasileiros depende de muito trabalho e de muita seriedade. Menos discurso e mais ação. E as novidades futuras só poderão ser melhores do que as presentes.

 

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Os 50 anos da Formatura da Primeira Turma de Alfabetizados pelo Professor Paulo Freire, em Angicos

Há exatamente 50 anos, no município de Angicos, no Rio Grande do Norte, na presença do então Presidente da República, João Goulart, do Ministro da Educação Paulo de Tarso Santos, do Governador do Estado, Aloízio Alves, e do Secretário da Educação, Calazans Fernandes, , ocorreu a formatura da primeira turma de adultos alfabetizados pelo Professor Paulo Freire e por sua equipe de monitores do Departamento de Extensões Culturais da Universidade Federal do Recife. Angicos  foi escolhida para a experiência pioneira de combate ao analfabetismo que atingia 70% da população do Estado e 75% do município.

Conforme conta Ana Maria Araújo Freire, ou Nita Freire, em seu extraordinário livro “Paulo Freire. Uma História de Vida” (2005 – Editora Villa das Letras), o método criado consistia de três etapas, investigação, tematização e problematização: (abre aspas)

“As dezessete palavras geradoras, tiradas do contexto da situação sociológica, da linguagem dos/as alfabetizados/as de Angicos, dentre cerca de quatrocentas delas anotadas nos diálogos preparatórios, foram, após análises dos psicolinguistas, sociólogos e pedagogos da equipe do SEC – Serviço de Extensão Cultural – da Universidade do Recife:

BELOTA-MILHO-EXPRESSO-XIQUE-XIQUE-VOTO-POVO-SAPATO-CHIBANCA-SALINA-GOLEIRO-TIJELA-COZINHA-JARRA-FOGÃO-BILRO-ALMOFADA-FEIRA (fecha aspas)

Carlos Lyra, um dos monitores, explica: (abre aspas)

“Como o método é audiovisual, fazemos fichas coloridas, para projetar contendo situações de trabalho próprias ao grupo e com palavras-chave. Esta projeção pode ser feita por epiadiascópio, retroprojetor, projetor opaco, projetor de diafilme (a querosene), ou por qualquer outro tipo de projetor, mesmo caseiro. (A importância do projetor é muito grande. È a melhor maneira de fazer gravar uma palavra…

Na pesquisa de Angicos 66 adultos informaram que iam aprender a ler e escrever “para melhorar de vida”; 26 “para ser motorista”; 23 para “ler jornal”; 20 “para ser professor”; outras 20 “para ser boa costureira”; 18 “para ficar sabendo”; 17 “para escrever cartas, 10 “para votar”; 7 “para dirigir-se”; 4 “para ser músico” e 4 “para ler a Bíblia”.” (fecha aspas)

De um total de 300 alfabetizados, 156 eram homens e 143 mulheres, 159 casados, 130 solteiros, cinco viúvos, três amasiados. Quanto às suas ocupações: 94 domésticas, 46 operários, 38 agricultores, 24 artesãos, 18 serventes de pedreiro, 15 pedreiros, sete comerciantes, três motoristas, três carpinteiros, 10 lavadeiras de roupa, três bordadeiras, sete funcionários, uma parteira, dois mecânicos, um vaqueiro, um soldado, uma prostituta, um jornaleiro e cinco desocupados.

O Curso de Formação de Pessoal foi feito sob a liderança de Marcos Guerra, com total apoio da universidade.

Em 1963, a convite do Ministro Paulo de Tarso, Paulo Freire foi levado a realizar uma campanha nacional de alfabetização. Em 21 de janeiro de 1964, por meio do Decreto-Lei 53.465, instituiu-se o Programa Nacional de Alfabetização mediante o uso do Sistema Paulo Freire. Um dos primeiros decretos do Governo Militar instalado após o golpe de 1º. de abril de 1964 foi o Decreto de 14 de abril de 1964 que revogou o Decreto que instituiu o Programa Nacional de Alfabetização. (abre aspas)

“A consequência maior de sua luta por um Brasil melhor e mais justo levou-o a partir de seu país, a deixar para trás a sua cidade querida, quando tinha acabado de completar 43 anos de idade, escreve Nita Freire: “Seu ‘pecado” foi alfabetizar para a conscientização e a participação política. Alfabetizar para que o povo emergisse da situação de dominado e explorado e que assim se politizando pelo ato de ler a palavra pudesse reler, criticamente, o mundo. Seu difundido ‘Método de Alfabetização Paulo Freire’ tinha suporte nessas ideias que traduziam a realidade da sociedade injusta e discriminatória que constituímos. E que precisava ser transformada. Perseguido, Paulo precisou, para preservar a sua vida, partir para um exílio de mais de quinze anos.” (fecha aspas)

É muito bonita a forma como Paulo Freire desenvolveu o seu método conforme ele um dia relatou em entrevista ao Pasquim: (abre aspas)

“o meu menino mais novo… tinha dois anos, e havia um reclame na televisão de Nescau, em que aparecia a lata do Nescau e havia uma cançãozinha que dizia “Nescau, Nescau..” não me lembro mais do resto. Um dia eu ia com ele sentado no meu colo e quando o jipe fez uma curva numa rua, havia um imenso placar trepado em cima de uma dessas estaçõezinhas de tomar ônibus, com a lata de Nescau, e quando o jipe voltou, ele olhou e disse “Nescau, Nescau” e cantou a cançãozinha. Quer dizer, ele leu a palavra. Então isso me deu mais força ainda. Então eu fiz a minha primeira experiência com Mãe. Era a nossa cozinheira, uma mulher formidável… Eu perguntei a ela se ela gostaria de dar uma contribuição, me ajudando a procurar um caminho melhor para o povo brasileiro a ler e escrever.  E ela disse que aceitava. Ai então eu a levei para a minha biblioteca e projetei um menino desenhado. Olha gente, não por mim, e escrito embaixo menino.. Eu disse “Maria, o que é isso?” Ela disse “é um menino.” Eu disse “OK, é um menino”. Então eu tirei aquele desenho e apresentei o segundo: o mesmo menino, escrito embaixo meni. Deixei projetado algum tempo e disse “o que é isso”, e ela disse “é um menino” de novo. Eu disse “mas então tem alguma diferença grande em tudo isso que está aí na parede”? Tem alguma diferença em relação ao que eu projetei antes? “Ela disse “tem, aqui ta faltando um pedaço”. Aí eu projetei um terceiro desenho, que tinha escrito meno. Aí eu disse “e agora, Maria?” ela disse “agora falta o do meio”. Apresentei um outro com nino. E ela disse “agora falta o princípio.” Quando ela disse isso, ela disse: “dotor, tô com a cabeça doendo” (risos). “Mãe, eu disse, a cabeça dói, porque tu trabalhaste agora diferentemente. Tu trabalhas o dia todo nessa casa, lavas tudo e não te cansas. Mas, agora, esse trabalho é diferente. Se eu fizer o teu trabalho eu me canso. Mas uma coisa que está errada é que eu não faço o teu e tu não fazes o meu. E um dia vai chegar em que eu faço o teu e tu fazes o meu. E a gente cansa menos.” Eu agradeci a ela e ela me deu um cafezinho. Aí eu disse a mim mesmo “não tem nada de introjetar e extrojetar”, o negócio é na base da compreensão crítica da palavra. E aí fui em frente. E comecei a fazer as primeiras experiências já a nível assim crítico. O primeiro grupo com que eu trabalhei me deu resultados extraordinários. E nunca mais parou. Mas você vê o seguinte aí: que aí a questão não era somente técnico-metodológica, mas a questão de fundo aí é a capacidade de conhecer, associada à curiosidade em torno do objeto. Essa é a minha insistência. O resto são os melhores meios de que tu te serves para ajudar a curiosidade de saber. É a curiosidade que tem que ser estimulada … É a reinventividade.” (fecha aspas)

O sentido maior da contribuição do Professor Paulo Freire, que em seu retorno ao Brasil como Professor da Unicamp, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como Secretário da Educação do Governo Luiza Erundina, criador do MOVA e de tantas outras iniciativas, foi muito bem captado pelo escrito de Frei Betto na quarta capa da “Pedagogia da Autonomia” nas edições do Brasil e Itália, denominada: “Obrigada, Professor” (abre aspas)

“Foram as suas ideias, professor, que permitiram a Lula, o metalúrgico, chegar ao governo. Isso nunca acontecera antes na história do Brasil e, quiçá, na do mundo, exceto pela via revolucionária. Falo da eleição a presidente da República de um homem que veio da miséria; enfrentou, como líder sindical, uma ditadura militar; fundou um partido de esquerda numa nação onde a política pública sempre foi negócio privado da elite.

No dia da posse, ao discursar do púlpito do Palácio do Planalto, Lula declarou que não era resultado de si mesmo, mas da história de luta do povo brasileiro. É claro, professor, que não ignoramos a reação indígena à chegada do colonizador, fosse ele português, francês ou holandês; os quilombos dos escravos libertos; as revoltas populares que marcaram o período pré-republicano, como a Rebelião Mineira liderada por Tiradentes. Não olvidamos anarquistas e comunistas, a Coluna Prestes, a Aliança Nacional Libertadora, a Ação Católica, o ISEB e as Ligas Camponesas.

Mas a sua pedagogia, professor, permitiu que os pobres se tornassem sujeitos políticos. Até então, o protagonismo dos pobres tendia ao corporativismo ou não passava de revoltas desprovidas de um projeto político abrangente. Assim, eles só se destacavam como figuras de retórica no vocabulário da esquerda.

Marx e Engels eram intelectuais (e é bom lembrar que Engels era também empresário bem sucedido). Lênin, Trotsky e Mao também eram intelectuais. Che era médico e Fidel, advogado. Em nome dos pobres, e quase sempre a favor deles, os intelectuais comandavam. E os pobres eram comandados.

Graças às suas obras, professor, descobriu-se que os pobres têm uma pedagogia própria. Eles não produzem discursos abstratos, mas plásticos, ricos em metáforas. Não moldam conceitos; contam fatos. Foi o senhor que nos fez entender que ninguém é mais culto do que outro por ter frequentado a universidade ou apreciar as pinturas de Van Gogh e a música de Bach. O que existe são culturas paralelas, distintas, e socialmente complementares. O que sei eu dos circuitos eletrônicos deste computador no qual escrevo? O que sabia Einstein sobre o preparo de um bom feijão tropeiro? No entanto, a cozinheira pode passar a vida sem nenhuma noção das leis da relatividade. Mas Einstein jamais pôde prescindir dos conhecimentos culinários de quem lhe preparava a comida.

O pobre sabe, mas nem sempre sabe que sabe. E quando aprende é capaz de expressões como esta que ouvi da boca de um senhor, alfabetizado aos 60 anos: “Agora sei quanta coisa não sei”. O senhor, professor, fez com que o pobre conquistasse vez e voz, soubesse que sabe, e que seu saber é tão intelectual quanto o daqueles que, doutorados em filosofia ou matemática, ignoram como assentar a laje de uma casa, tecer um cesto de vime ou semear o trigo na época certa.

O senhor fez os pobres conquistarem autoestima. Graças ao seu método de alfabetização, eles aprenderam que “Ivo viu a uva” e que a uva que Ivo viu e não comprou é cara porque o país não dispõe de política agrícola adequada e nem permite que todos tenham acesso à alimentação básica. E só o pobre sabe o que significa passar fome. Por isso, professor, foi preciso que um pobre chegasse ao governo para priorizar o combate à fome e adotar como critério de êxito administrativo o acesso de toda a população a três refeições diárias.

O senhor nos ensinou que ninguém ensina a ninguém, mas ajuda o outro a aprender. Graças ao seu fórceps pedagógico, extraiu a pedagogia do oprimido e sistematizou-a em suas obras. Pois o arrancou da percepção da vida como mero fenômeno biológico para a percepção da vida como processo biográfico. Os pobres fazem história, como demonstram os quarenta anos de atuação dos movimentos sociais que levaram Lula à presidência. Foi a sua pedagogia de conscientização (na verdade, a dos pobres que, repito, o senhor sistematizou) que possibilitou a organização e a mobilização dos excluídos. Deu consistência dinâmica às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), aos movimentos populares, às oposições sindicais, aos sindicatos combativos, às ONGs, aos partidos progressistas.

Ao longo das últimas quatro décadas, seus “alunos” foram emergindo da esfera da ingenuidade para a esfera da crítica; da passividade à militância; da dor à esperança; da resignação à utopia. Convencidos pelo senhor de que são igualmente capazes, eles foram progressivamente ocupando espaços na vida política brasileira, como militantes das CEBs, do PT, do MST e de tantos outros movimentos.

Lula, professor, é a expressão mais notória desse processo. Daí a empatia que havia entre ele e o senhor. O senhor forneceu-lhe as ferramentas e ele, como bom torneiro-mecânico, fez o protótipo da chave que abriu aos oprimidos as portas da política brasileira. Basta conferir o atual ministério, integrado por gente que veio daquilo que a elite denomina “escória”: Marina Silva, do Meio Ambiente, foi seringueira e aprendeu a ler aos 14 anos; Miro Teixeira, das Comunicações, foi criança de rua na Praça Mauá, no Rio; Olívio Dutra, das Cidades, foi militante da Pastoral Operária e bancário; Ricardo Berzoini, da Previdência, também foi bancário, assim como Luiz Gushiken, da secretaria de Comunicação; Benedita da Silva, da Assistência e Promoção Social, foi favelada e empregada doméstica; José Fritsch, da Pesca, veio das Comunidades Eclesiais de Base; Jaques Wagner, do Trabalho, foi técnico em manutenção; Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário, foi técnico em mecânica. 

Por este novo Brasil, muito obrigado professor Paulo Freire.” (fecha aspas)

Podemos perguntar: Como se encontra a alfabetização hoje?

No momento em que homenageamos o cinquentenário da primeira turma de formandos alfabetizados pelo Professor Paulo Freire, é importante saber quanta falta para a população brasileira se tornar 100% alfabetizada.

Nos últimos 20 anos, a taxa de analfabetismo dentre as pessoas de 15 anos ou mais passou de 17,7% em 1992, para 12,4 % em 2001 e 8,6% em 2011, correspondendo a 12,9 milhões de pessoas. A proporção de analfabetos de 15 anos ou mais, em 2011, era 10,2% na região Norte; 16,9% na região Nordeste; 4,8% na Sudeste; 4,9%  na Sul, e 6,3 na Centro-Oeste. Era de 6,5% na área urbana e 21,2% na rural; de 8,8% entre homens e, 8,45 entre as mulheres. Na população branca atingia a 5,3% e entre pretos ou pardos a 11,8%.

Na mesma linha de decréscimo, no município de São Paulo, a taxa de analfabetismo entre as pessoas de 15 anos ou mais passou de 4,5%, em 2000, para 3,2% em 2010, ou seja, caiu de 354.049 para 281.847 pessoas, respectivamente.

A melhor homenagem que podemos prestar a Paulo Freire será perseguirmos nessa luta multiplicando os esforços em todos os níveis de governo para erradicarmos do Brasil o analfabetismo, no mais breve espaço de tempo possível.

 

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QUERIDOS FORMANDOS

O maior patrimônio de um ser humano é seu conhecimento. Passados trinta e um anos como professor vejo que o sonho de todos os estudantes é chegar à universidade, pois essa fase do desenvolvimento intelectual proporcionará mudanças radicais a vida, impulsionando-os a prosperidade. Trata-se apenas de uma verdade parcial. O diploma universitário, em tempos de globalização, é a autorização para reiniciar a caminhada do saber. A colação de grau é um momento festivo e eufórico, mas deve abrir uma temporada de reflexões sobre quais as próximas revoluções promoverão dentro de si. Nesse planeta temos que fazer à diferença, e não apenas passarmos por ele. Graduando-se na universidade espera-se trocar de hábitos e não mais se omitir. Dizem que os universitários são cerca de 5% de universitários no Brasil e 2% no planeta. As práticas mais esperadas de recém-graduados é humildade e resignação. Logo muito jovem, aprendi com um grande mestre, que “só sei que nada sei”. No amanhecer de todos os dias, somos aprendizes, e fraternalmente podemos ensinar o que sabemos. Ao anoitecer, devemos refletir sobre as lições, erros e acertos do dia que passou. Planejar o próximo dia para ser melhor, é ato nobre e sábio. Indico o medo comedido para os que sábios. Ousadia demasiada provoca estragos irreparáveis, e a omissão também. Respeitar as novidades como aprendizes, nos credencia para novos saltos em nossas vidas. A antipatia dos que tudo podem fecha portas importantes numa vida de sucesso. O sucesso será reflexo da humildade e do que semearmos. Busquem ótimos parceiros para a semeadura. Competência não é nativa é adquirida com suor e lágrimas. Ao sentirem-se incompetentes, olhem a frente, pois haverá muitas portas esperando ser abertas com a competência almejada atrás delas. Durmam tarde, e com a certeza de terem feito o melhor, nem sempre o máximo, mas o melhor possível. Cuidem bem do Planeta Terra e de seu meio. Liderar nos traz alegrias, decepções e o sentimento de ter feito a diferença. Com justiça, aprisionem os monstros que perturbam a ordem e a harmonia, resolvam seus fantasmas. Deus nos oferece todos os dias, pelo menos uma oportunidade de mudarmos para melhor e quase sempre estamos ocupados e desatentos a Ele. Sejam generosos com sua saúde fugindo de abusos. Pratiquem um esporte e convençam outros a o fazerem. Não intoxiquem seu corpo, ele é um templo. Talentos são qualidades que Deus nos emprestou. Queridos formandos de 2012, desejo-os paz, amor, prosperidade, e luz.

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