BANDIDOS DE ESTIMAÇÃO

Há muito venho debatendo o efeito devastador que más políticas educacionais
trazem a civilização. No Brasil, desde seu descobrimento, a deseducação foi
prioridade da maior parte de nossos líderes e algozes. O fato contaminou
gradualmente o tripé da formação ética e moral; família, educação e
religião, também bases do arcabouço cultural. A condenação à escuridão
intelectual que normalmente se impõe às crianças brasileiras, talvez seja a
mais cruel das penalidades, porque atinge não apenas elas próprias, como
também o País em que viverão quando se tornarem adultas. Nem o mais desumano
entre os códigos penais conseguiu a proeza de inserir em seu rol este
castigo. O fruto desse processo é uma democracia oligárquica com marginais
sempre presentes nos municípios, estados e na federação, sempre nos três
poderes. O brasileiro em média vota mal, e em candidatos que normalmente são
imagem e semelhança do que temos de pior. Mesmo as exceções, ao adentrar no
mecanismo político se contaminam. Tudo isso pode ser contestado, mas o que
leva pessoas de bem defenderem marginais? Sobram evidências que a corrupção
do Brasil é sistêmica. Falando especificamente da política, a maior parte de
seus operadores está comprometida com todos os tipos de falcatruas,
independente de partido político. Caciques históricos com Serra, Lula,
Aluizio, Temer, Sarney, Alckmin, Collor, Maluf, etc estão enrolados em suas
trapaças para si ou para manter-se no poder. Não existe democracia sem
política, e nem política sem ideologia, mas onde está escrito que precisamos
ter marginais de estimação? Não creio que todos os que gritam pela não
condenação de Lula sejam bandidos e nem que todos ali possam ganhar com o
ex-presidente livre das grades. Poderia creditar a defesa cega de Lula à
ignorância, mas alinhado a gritaria existem intelectuais, professores,
artistas, gente culta lutando contra a condenação do bandido. Não está na
hora de lutarmos juntos para extirpar a corrupção no Brasil? Para tal, sem
correr riscos, não reelejamos nenhum político em outubro. Nosso voto é mais
forte que qualquer sentença judicial. Parafraseando o historiador Leandro
Karnal, e entendendo que haverá competição entre “Lúcifer, satanases e
capetas” em 2018, podemos escolher os demônios inexperientes, dessa forma
demorarão em conhecer o caminho da corrupção, o que nos dará tempo para
impedi-los. Teremos que piorar para melhorar, mas valerá muito à pena.

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