A ESCASSEZ DE “INOVAÇÕES” NO BRASIL

Com uma inestimável contribuição ao Pensamento Econômico, Joseph Schumpeter escreveu que os ciclos econômicos agem em função das variações, concluindo que a economia progride por causa das inovações e decai na ausência delas.

No mundo corporativo essa premissa está sempre presente em seus planejamentos estratégicos e, mais que isso, faz parte de suas decisões nas gestões diária dos negócios. As empresas prospectam e implementam permanentemente “inovações” que viabilizem os seus negócios e que as projetem para um futuro promissor, sustentavelmente.

No setor público, aqui no Brasil, ao contrário, as políticas públicas estruturais acontecem apenas em velocidade reduzida, quando não engatam uma ré na marcha.

Dados do IBGE mostram que o Brasil perdeu quase 4 milhões de vagas com carteira assinada desde a crise no mercado de trabalho, em 2014, uma média de 1 milhão por ano.

No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego foi de 13,1%, alta de 1,3 pontos percentuais com relação aos 11,8% do primeiro trimestre de 2017.

O investimento público vem caindo desde 2011 e chegou ao fundo do poço em 2017, quando a União, Estados e Municípios investiram o equivalente a 1,17% do Produto Interno Bruto – PIB – o menor nível em quase 50 anos. Foram apenas R$ 76,9 bilhões aplicados, inferiores à depreciação dos ativos públicos da ordem de R$ 113,4 bilhões, gerando, portanto, na verdade, não investimentos, mas um “desinvestimento” de R$ 36,5 bilhões. O País andou para trás em sua infraestrutura.

É pertinente a pergunta acerca de quais as “inovações” estruturais das políticas públicas do Governo Federal ?

A Reforma Tributária não sai das idéias; a atualização da Tabela do Imposto de Renda não ocorre há muitos anos, levando, injustamente, os trabalhadores a pagar mais impostos, tirando o dinamismo do “consumo” na economia.

A ininteligível estrutura tributária do País, impossível de ser entendida pelas empresas internacionais, afastam investimentos externos do Brasil.

A Reforma da Previdência Social não avança e afunda o Orçamento Público.

A Reforma Política, com a redução acentuada do Legislativo, não avança e, considerando os três poderes constituídos: – O Executivo, o Legislativo e o Judiciário, seus gastos não cabem no PIB do País.

Efetivamente, os interesses políticos nos impedem de aprender a lição de Schumpeter.

MESSIAS MERCADANTE DE CASTRO é professor da UNIANCHIETA e autor do livro “O Gerenciamento da Vida Pessoal, Profissional e Empresarial” – Ed. M. Books – SP e Gestor de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Jundiaí. Email: messiasmercadante@terra.com.br30

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