QUADRILHA NA CADEIA

Segundo o antropólogo Roberto da Matta, que estudou o comportamento dos
brasileiros no trânsito e nas filas dos bancos, temos grande resistência à
igualdade. A desigualdade é a sensação mais comum e confortável para todos,
pois com ela o Brasil é sempre o mesmo, garantindo que nada muda. Em uma
sucessão de escândalos de corrupção, o Estado do Rio viu alguns dos
principais líderes políticos dos últimos 20 anos irem para cadeia, todos
passaram pelo palácio e pela poltrona de quem comanda o segundo estado mais
importante do país. Nas últimas duas décadas, todos os que sentaram lá
acabaram tendo que acertar contas com a Justiça. Dos últimos quatro eleitos,
três estão atrás das grades: Anthony
<http://g1.globo.com/politica/politico/garotinho.html> Garotinho, sua
esposa, Rosinha Matheus, e Sérgio Cabral. O atual governador, Luiz Fernando
Pezão, já foi citado em delações premiadas e teve o mandato cassado pelo
Tribunal Regional Eleitoral, mas está recorrendo. Todos foram aliados, mas
Garotinho e Cabral romperam em 2006 e só voltaram a ficar perto um do outro
há um ano, quando ficaram presos em Bangu. Esse é só mais um caso que choca
a nação. É muito difícil prever o impacto da prisão desses sujeitos sobre a
política nacional. Um fator que reduz o impacto negativo de tudo isso é a
absurda falta de oposição política militante, pois estão quase todos
enrolados, em digno abraço de afogados. Os historiadores dizem que a falta
de oposição política tende a migrar todas as manifestações para a cúpula do
governo federal, nesse caso, mais enrolado que isso… O exemplo está no tão
falado choque de capitalismo do governo Temer, com a existência de seis
programas voltados para a modernização da máquina administrativa e econômica
que na prática nunca aconteceu e está implodindo sua base de apoio político.
O Congresso Nacional está um semideserto e ninguém sente falta dele.
Trata-se do pior Congresso da história, talvez pelo fato de sabermos de tudo
e de todos. Para onde nos conduziremos? O maior legado da implosão da
política nacional será no processo eleitoral de 201. Haverá uma mudança
radical na configuração do Congresso Nacional e em conseqüência na política.
Espero que a partir de agora não precisemos piorar tanto para melhorarmos um
pouco, e que a corrupção um dia não mais faça parte da cultura dessa nação,
fazendo que o “País do Futuro” passe a ser definitivamente o “País do
Presente”.

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VIDA LONGA AOS GANGUESTERES

Em sessão extraordinária realizada no dia 17, os deputados estaduais do Rio
de Janeiro, revogaram as prisões dos colegas Jorge Picciani, presidente da
Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), Paulo Melo – que também já presidiu a
Casa – e Edson Albertassi, atual líder do governo, acusados e presos
preventivamente por corrupção e lavagem de dinheiro. Os três deputados são
do PMDB. Em votação aberta, 39 deputados votaram por soltar os três colegas
presos, seguindo o parecer aprovado na Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) da Casa, um absteve-se, enquanto a manutenção das prisões recebeu 19
votos. Além de libertar três marginais, o parecer da CCJ determina que
Picciani, Albertassi e Melo voltem ao exercício do mandato. Lembro que o
precedente foi concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando
covardemente empurrou ao Senado Federal o caso do corrupto Senador Aécio
Neves ( PSDB). O Rio de Janeiro está falido e tomado pelo crime. Terra de
ninguém, governada há anos por larápios, como por exemplo, o apenado Sérgio
Cabral (PMDB), que concorre em até 100 anos de prisão, (cumpriu um ano).
Dizer que os deputados da Alerj são imagem e semelhança de seus eleitores
não é verdadeiro, pois uma eleição depende de muitos fatores como a cultura
do povo, mídia, marketing, uso da máquina pública etc. Na verdade, o volume
de coisas erradas que a Operação Lava Jato trouxe a tona a cada dia se
amplia. Com tal confirma-se que os partidos brasileiros, sabidamente sem
ideologia predominante, se diferenciam pelo grau de engajamento ao crime
organizado. A política brasileira aparelhou-se há séculos para beneficiar
seus eleitos. Nesse momento nos cabe desfazer essa rede de crimes. Segundo
“Gabriel, o Pensador, políticos ridículos se sentem mitos”, o que é
inadmissível. Nenhum político idiota é mito e nem mitos são idiotas. Nesse
momento a bandalheira dá abertura para forças de extrema direita que já
castraram e consumiram o Brasil por 21 anos. Não foi nos 13 anos de
Lulopetismo que criou-se o terrível arcabouço da política mafiosa com
fóruns privilegiados e corporativismo, mas o Lulopetismo a aperfeiçoou. O
Brasil não é e nem será mais o mesmo. Quanto aos políticos criminosos?
Muitos serão punidos e um círculo virtuoso se criará. Vidas longas aos
ganguesteres, dessa forma pagarão por seus crimes.

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Como recrutar o bom senso?

Uma das questões tormentosas para todas as democracias é a forma de recrutamento de juízes, promotores de Justiça, defensores públicos e demais carreiras jurídicas. Em tese, o modelo brasileiro é incensurável.

Nossos juízes, promotores, defensores públicos, procuradores, delegados de polícia e de legatários dos serviços extrajudiciais – os antigos cartórios – são selecionados por concurso de provas e títulos. Fórmula que alia o aspecto democrático – todos podem concorrer, desde que bacharéis em Direito – e a feição meritocrática – só os mais capazes serão aprovados.

Todavia, persiste o tema da legitimidade, muito debatido em outros países, a merecer uma resposta consistente e convincente. Os demais poderes têm seus integrantes eleitos. Submetem-se ao escrutínio popular. Isso é próprio ao regime democrático. Tanto que os Estados Unidos têm vários estados que elegem seus juízes, para responder a esse déficit de legitimidade muito comentado na doutrina.

Aqui, o concurso público de provas e títulos não atende a esse requisito de escolha popular e merece críticas. A resposta mais comum é a de que o juiz atende ao princípio da legitimidade mediante sólida fundamentação das decisões.

Como profere suas deliberações por escrito ou oralmente, mas com toda a publicidade e transparência, tal procedimento adquire a legitimidade que vem do consentimento da população à qual está preordenado a servir. Superada a questão da legitimidade, outra ordem de reflexões ainda não mereceu definitiva solução. O concurso público escolhe, na verdade, os mais capazes?

É algo irrespondível. Tem sido assim e as carreiras públicas não padecem de falta de preparo técnico. Isso é suficiente para o excelente desempenho da função estatal?

Ocorre que a seleção de profissionais das carreiras jurídicas ainda ostenta um déficit sobre o qual existe relativo consenso: avalia-se a capacidade de memorização, na expectativa de que o candidato decore todo o acervo legislativo, doutrinário e jurisprudencial produzido a respeito do universo jurídico.

Nem sempre isso equivale a equilíbrio, sensibilidade, capacidade de trabalho, compreensão, solidariedade, humanismo e, principalmente, bom senso. Mas quem é que pensa em alterar esse quadro?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 19/11/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Juízo, a Terra é frágil!

Talvez por ser neto de imigrante, que deixou a Itália por falta de perspectivas e por  carência de terras, tenho a ecologia no meu DNA. Sou ambientalista convicto, procuro proteger a natureza na limitação de minhas possibilidades, mas nunca cessei na pregação de alerta para que o maltrato se reduza.

Como um dos idealizadoras e primeiros integrantes da Câmara Especial do Meio Ambiente, depois batizada Câmara Reservada ao Meio Ambiente, sempre fui contra
as queimadas de palha de cana-de-açúcar. Nunca me convenci de que essa praxe fosse inofensiva. Estive em locais afetados e o cenário é aterrador. Sustentei com paixão a vedação de tal costume, repeli o argumento de que sempre foi assim, desde a “coivara” dos índios e perdi muitas batalhas. Indignado ao constatar que doutrinadores do ambiente, quando contratados a defender os incendiários, renegavam suas posições e encontravam elementos para afirmar que aquele era um caso peculiar.

Indignei-me quando em acórdão o relator chegou a se utilizar de metáfora de discutível gosto: a fuligem da queimada representava “as borboletas do progresso” para o agronegócio… Enfim, a verdade é poliédrica e cada qual consegue enxergar na mesma questão um foco nem sempre perscrutável pelo olhar do outro.

Reconheço que a cana-de-açúcar está no Brasil desde 1530, trazida por Martin Afonso de Souza e que hoje o Brasil é o maior produtor do mundo e o primeiro fornecedor de açúcar, com 22% da oferta mundial. É o segundo em etanol, com 25% do mercado. A previsão da safra 2017/2018 é de 585 milhões de toneladas, apenas na região Centro-Sul, de acordo com informações da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar – Unica. O parque industrial conta com 382 usinas, sendo 302 situadas na região Centro-Sul, e gera 1 milhão de empregos diretos em 30% dos municípios brasileiros.

A biomassa ocupa a terceira posição na matriz elétrica do Brasil, com 11.189 MW e de acordo com o Plano Decenal de Energia – PDE 2024, do Ministério de Minas e Energia, o potencial técnico de geração anual para a rede pela biomassa de cana pode alcançar duas usinas de Itaipu, com 165 TWh/ano até 2024, ou seja, 24% do consumo nacional.

Sei também que da cana tudo se aproveita: etanol, açúcar, energia, cachaça, caldo de cana, rapadura. Os subprodutos também são reutilizados, como a palha da cana, usada na técnica do plantio direto, que protege o solo e aumenta a produtividade do canavial. Mas também produz energia elétrica, papel higiênico, bioplástico e outros itens. A vinhaça é destinada à adubação e fertirrigação, pois tem concentração de nutrientes.

Todavia, não penso que seja saudável eliminar a policultura, vocação natural do Estado de São Paulo, para transformar nosso Estado em imenso canavial. Apenas separado por presídios, o que me levou a escrever há alguns anos, o artigo “Cana & Cana”, para evidenciar uma realidade preocupante.

Espero que o agronegócio tenha juízo para não deixar de respeitar a natureza, tão pródiga e tão maltratada. O mundo emite sinais eloquentes de fratura ambiental. Não é impossível manter a canavicultura e a reserva florestal. Esta é um patrimônio que não merece destruição.

Espero que a preocupação ecológica mereça cada vez maior espaço na categoria e que as notícias veiculadas no jornal do Engenheiro Agrônomo, sob o título “Santa Cana – Do Passado Colonial ao Futuro Sustentável” sejam sinal de fortalecimento dessa consciência. Pois afirma-se que 97,5% da área de cana de São Paulo está livre de queimada. As emissões de gases de efeito estufa evitadas já equivalem ao que teria sido emitido por cerca de 162 mil ônibus circulando durante um ano. Enquanto na safra de 2007/2008 havia 753 colhedoras, hoje o setor sucroenergético possui 3.747 colhedoras. 60% das usinas signatárias do Protocolo Agroambiental possuem programas de restauração florestal de seus fornecedores de cana.

É saudável que a nova geração de profissionais, com especialização adquirida nos mais modernos centros de formação, tenham noção de que a Terra é frágil e de que nada adianta exauri-la com uma agricultura agressiva, para amanhã não poder dela extrair riqueza, sobrevivência e vida digna.

Fonte: Correio Popular | Data: 17/11/2017

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LEIS, SEGUNDO MONTESQUIEU

O século 19 foi provavelmente o século do Poder Executivo no Brasil. Foi
quando demos um basta a escravidão e a monarquia, assumimos a república e
revisamos a governança do Brasil. Já no século 20, o Brasil viveu
provavelmente o século do Poder Legislativo. Leis foram reformadas, hora
melhoram, hora pioraram, adaptaram-se. Parece-me que no século 21 viveremos
o século do judiciário, vejam a Operação Lava Jato revendo as relações
institucionais e sacando a corrupção da política de estado. O Brasil precisa
aprender com o grande filósofo do iluminismo Montesquieu. Segundo ele, os
homens são geridos por um conjunto de coisas, como o clima, a religião, as
leis, as máximas dos governantes, os exemplos dos fatos passados, os
costumes, as maneiras. Daí resulta um espírito geral, que, em cada Nação. A
natureza e o clima, por exemplo, determinam o modo de vida dos povos
selvagens; as lições filosóficas e os costumes balizam o governo na Roma
antiga; enquanto ceticismo está na alma dos orientais. A preocupação central
do autor de “O Espírito das Leis” era, porém, com a degradação geral das
Nações, com a vitória dos vícios sobre as virtudes. Infelizmente, esse
parece ser um cenário cada vez mais visível, eis que, ao lado do progresso
material, se distingue na estampa internacional um quadro de exaustão, cujos
matizes agregam fatores como quebra da lei e da ordem, anarquia crescente,
estados fracassados, máfias transnacionais, debilitação de família, declínio
da confiança nas instituições, cartéis de drogas, enfim, o paradigma do
caos. A inserção de nosso País nesse quadro é total. Chegamos ao estágio
terminal no campo da ética e da moral. De onde se pinça a indagação: qual
tem sido o elemento central gerador para explicar o avançado grau de
deterioração de costumes políticos e práticas sociais? O descalabro aponta
para a incapacidade dos Poderes, com ênfase no Executivo e no Legislativo,
para cumprir a missão a que se dedicam. Traços deste panorama: trânsfugas
são pintados como heróis; a banalização da violência amortece a
sensibilidade social; o desprezo pelas leis expande a anomalia e,
conseqüentemente, a impunidade. O legislador Sólon, um dos sete sábios da
Grécia, dizia que dera aos atenienses “as melhores leis que podiam
tolerar”. Os brasileiros ganham dos nossos legisladores as melhores leis que
podem esquecer ai o Poder Judiciário os fazem cumprir.

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O FRAGELO DA FOME

Em 1956, a China vivia a consolidação da revolução comunista, que
dentre outras coisas havia pacificado o país e proporcionado sua
estabilidade econômica.A vida transcorria relativamente bem para o chinês,
até que em setembro do mesmo ano, no 8º Congresso do Partido Comunista,
comandado pelo “Grande Timoneiro” Mao Tse-Tung, resolveu lançar o ambicioso
2º Plano Qüinqüenal, a iniciar-se em 1958. Encarado como “o grande salto pra
frente”, no qual entre outras coisas, o país deveria no prazo de um ano,
crescer em proporções nunca vistas. Em 1958, em todas as aldeias,
alto-falantes transmitiam ao máximo volume a nova palavra de ordem; “Todo
mundo fabricando aço!” O mandamento incluía realmente todos. Cerca de 100
milhões de camponeses foram deslocados da lavoura para a produção de aço e
com isso a agricultura foi praticamente aniquilada. Para evitar dispersões,
as terras foram todas expropriadas e organizadas em grandes comunas
populares. O regime proibiu refeições em casa. Os camponeses só podiam se
alimentar nas cantinas comunitárias e dedicar o melhor de seus esforços à
produção de aço, nem que fosse de modo artesanal, no fundo do quintal. O
resultado foi desastroso. Não se produziu uma tonelada sequer de aço
economicamente viável, as safras quebraram e no início dos anos de 1960, a
fome matou mais de 30 milhões de chineses. Foi a terceira maior tragédia da
história humana, só superada pela Gripe Espanhola e pela 2ª Guerra Mundial.
Em 1961, Mao Tse-Tung viu-se obrigado a voltar atrás, mas já era tarde. Mais
do que com a miséria, o mapa da fome coincide com ideologias. Ao tempo em
que os chineses sucumbiam aos milhões, do outro lado do mundo, um jovem
cientista norte americano chamado Norman Borlaug, criava nos arredores da
cidade do México, um centro de pesquisas agrícolas que poucos anos depois
haveria de revolucionar o planeta. Trazia em mente uma única convicção; a
resposta para a fome não estava no campo minado das ideologias, mas sim na
ciência e na tecnologia. Após exaustivos experimentos, logrou criar novas
sementes de arroz e de trigo de altíssimo rendimento. E o mais importante,
perfeitamente ambientadas para os solos e os climas adversos do então
terceiro mundo. O continente Asiático, conhecido até então como o
“continente da fome”, nunca mais seria o mesmo depois de adotar as sementes
e os modos de cultivo recomendados pelo cientista. Ele logrou conquistar o
Prêmio Nobel da Paz em 1970, mas é só.

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SEMANA DA DESFAÇATEZ

Na última semana assistimos mais um pouco da novela “quanto pior melhor”.
Começamos com a caravana de Lula pelo norte de Minas Gerais. Um tributo a
desfaçatez, a mentira, ao descaramento e autoflagelo de um mito que ruiu. O
condenado não percebe que seu discurso já não mais engana. Ao chegar à
cidade de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, o petista foi recebido com uma
faixa “Lula, o Vale do Mucuri te recebe de algemas abertas”, o mesmo em
Ipatinga, no Vale do Aço. A presença do ex-presidente nas cidades por onde
tem passado vem sendo repudiada. Na seqüência, a Câmara dos Deputados livrou
mais uma vez a cara doutro mafioso, dessa vez o presidente Michel Temer.
Após quase 13 horas de sessão, por 251 votos a 233, a Câmara rejeitou enviar
ao Supremo Tribunal Federal (STF) a segunda denúncia contra o presidente
Michel Temer apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Temer
foi denunciado pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça.
Já o PSDB, dividido e em cima do muro como sempre, vem buscando a identidade
perdida, vem “sambando” nas garras doutra decepção, o ex-Senador em
atividade Aécio Neves, presidente licenciado da legenda. Inacreditável,
Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB, pede, roga, implora para que
Aécio deixe a presidência do partido, e o mesmo finge que não é com ele. O
PSDB irá desaparecer antes mesmo do PT, assim seja. Para não ficar para
traz, no STF, a mais alta corte da República, assistimos uma “briga digna de
lavadeiras” entre os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. A
discussão começou quando Gilmar criticou a situação do Rio de Janeiro. No
momento, Gilmar Mendes votava e falava sobre a gestão de recursos públicos.
Incomodado com a crítica ao Rio de Janeiro, Barroso citou Mato Grosso,
estado de Gilmar Mendes, “onde está todo mundo preso”. Gilmar Mendes então
treplicou lembrando a atuação de Barroso no “mensalão”: afirmou que ele
soltou o ex-ministro José Dirceu. Relator da execução penal do petista,
Barroso respondeu que tomou a decisão com base em decreto da ex-presidente
Dilma Rousseff de conceder indulto a condenados. Na verdade, Barroso, no
caso tem razão em grande parte do que disse a Gilmar Mendes, ocorre que a
casa deveria ser republicana e respeitável. O Armagedom, lugar onde
acontecerá a batalha final entre as forças do Bem e do Mal, poderá resolver
a crise moral, cívica de postura e compostura dos que comandam e comandavam
o Brasil.

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SENHORES SENADORES

Senado revogou a suspensão de Aécio Neves, deputados absolvem Michel Temer e
o Supremo se prepara para facilitar a vida dos condenados em segunda
instância. Representantes do povo ou de seus próprios interesses?
Parlamentares ou contraventores? Senador vem da latina senior, que significa
mais velho. Não conota idade provecta, mas condição respeitável. Os mais
velhos mereciam respeito nas tribos primitivas por causa da sua experiência,
o que os tornava capazes de aconselhar os mais jovens – seu dever era evitar
que as gerações inexperientes respeitassem os erros deles. O Senado romano
reunia os patrocínios mais respeitáveis para conduzir os negócios
republicanos, ou seja, da coisa pública. Nas democracias de poder tripartite
e representação bicameral, como pretende ser a nossa, os senadores são
representantes das unidades federativas, os Estados. Misturam-se, no modelo
imitado do sistema bicameral adotado pelos países fundadores da revolução
Americana, o mando romano e a estirpe nobre dos barões britânicos. Pode-se
argumentar que, já entre os romanos, nem sempre a respeitabilidade era
sinônimo de superioridade, como o demonstram conspirações, caso da que
terminou por abater Júlio César sob a estátua de Pompeu, á entrada do
edifício onde se reuniam os senadores, freqüentando por serpentes afiadoras
de punhais. E que o sangue azul dos lordes ingleses não garante sua nobreza
de atitudes, não sendo a Câmara de Lordes, assim como o Senado americano, um
convento habilitado por freirinhas virtuosas. Isso não quer dizer, contudo,
que a lenda segundo a qual não existe pecado no lado de baixo da linha do
Equador, corrente desde a Renascença, permita um acréscimo de letras capaz
de transformar o que não é convento num conventículo, sinônimo pouco
empregado de prostíbulo. A imagem é pesada demais, é certo, mas a verdade é
que, os senadores no Brasil contemporâneo têm abusado demais da paciência
dos cidadãos que lhes sustentam os luxos e caprichos sem receber em troca o
exemplo de decência e austeridade que de todos eles é lícito esperar.
Fisiologistas e covardes. Nossos Senadores na sua maioria não representam
senioridade e sapiência, representam uma casta de aproveitadores que nos
envergonham com conversas e propostas eleitoreiras, se auto preservando como
na Mafia italiana. Carlos Henrique Pellegrini é professor universitário e
Diretor de Gestão Empresarial e de Sucessão Familiar da Maxirecur
Consulting, pellegrini@maxirecur.com.br

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QUANTO PIOR, MELHOR

Ingênuo é quem pensa que a Operação Lava Jato já revelou tudo quanto
havia de podre na política nacional e que nada o surpreenderá mais. O que
acontece todos os dias mostra que a caixinha de Pandora ainda pode revelar
coisas que antigamente se chamavam do arco da velha. Além do PT, PMDB e
PSDB, partidos como PCdoB, PDT, PP, PRB e PROS cada vez estão mais enrolados
e concorrem ao Prêmio “Quanto Pior, Melhor”. A começar pelas origens. O
primeiro resulta de uma dissidência radical do Partido Comunista Brasileiro.
Antes seguia a linha Chinesa e agora, pasmem a Albanesa, agora sim,
“Partidão velho de guerra”! O segundo foi fundado por Leonel Brizola para
gerir a herança do “socialismo moreno” populista de Getúlio Vargas. Brizola
deve rodopiar no caixão diuturnamente. O PP foi fundado e é controlado por
Paulo Maluf, ícone da corrupção da política profissional e que hoje se jacta
de não ter sido citado na Operação Lava Jato. O PRB é o braço político da
Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, (ao menos há um
profeta em suas fileiras). O PROS é o melhor exemplo do resultado da
facilidade com que qualquer grupelho obtém autorização da Justiça Eleitoral
para funcionar. O que não pode passar despercebido com o “abraço de
afogados” que tais partidos vem praticando, é a engenhosa narrativa e o
movimento sub-reptício de transformar a corrupção numa espécie de tradição
cultural brasileira, para tombá-la judicialmente e evitar a punição dos que
caíram em tentação. Do ponto de vista penal, é o mesmo que inocentar o
goleiro Bruno do assassínio da mãe de seu filho, Eliza Samudio, porque ele
apenas teria imitado o exemplo de Caim, que matou o irmão Abel. É difícil
saber o que é mais sórdido: a desfaçatez com que se criam partidos sem
identidade ou ideologia, ou as tentativas de suposta reforma política que se
resumiu a criação de um fundo bilionário para financiar campanhas, o fim das
coligações partidárias e uma clausulam de barreira para tentar barrar a
proliferação de partidos de aluguel. A PEC 33/2017 proíbe coligações
partidárias em eleições proporcionais a partir de 2020 e cria uma cláusula
de desempenho para que os partidos só tenham acesso aos recursos do Fundo
Partidário e ao tempo de propaganda gratuita na rádio e na televisão se
atingir um patamar mínimo de candidatos eleitos em todo o país.

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PARTIDOS, QUANTO PIOR, MELHOR

Ingênuo é quem pensa que a Operação Lava Jato já revelou tudo quanto
havia de podre na política nacional e que nada o surpreenderá mais. O que
acontece todos os dias mostra que a caixinha de Pandora ainda pode revelar
coisas que antigamente se chamavam do arco da velha. Além do PT, PMDB e
PSDB, partidos como PCdoB, PDT, PP, PRB e PROS concorrem ao Prêmio “Quanto
Pior, Melhor”. A começar pelas origens. O primeiro resulta de uma
dissidência radical do Partido Comunista Brasileiro. Antes seguia a linha
chinesa e agora, pasmem a albanesa … “Partidão velho de guerra”! O segundo
foi fundado por Leonel Brizola para gerir a herança do “socialismo moreno”
populista de Getúlio Vargas. Brizola deve rodopiar no caixão diuturnamente.
O PP foi fundado e controlado por Paulo Maluf, antigo ícone da corrupção na
política profissional, mas que hoje se jacta de não ter sido citado na
Operação Lava Jato. O PRB é o braço político da Igreja Universal do Reino de
Deus, do bispo Edir Macedo – pelo menos há um profeta em suas fileiras. O
PROS é o melhor exemplo do resultado da facilidade com que qualquer grupelho
obtém autorização da Justiça Eleitoral para funcionar. É difícil saber o que
é mais sórdido: a desfaçatez com que se criam partidos sem identidade ou
ideologia, ou as tentativas de reforma política. Agora há pouco veio a lume
a “terrível” pena do publicitário João Santana e sua mulher Mônica Moura,
espécie de tesoureiros informais da campanha de Dilma e Temer em 2014, que
usarão tornozeleira eletrônica e prestarão serviços a comunidade até 2019.
Santana foi também uma espécie de espírito santo de orelha, confessor,
filósofo de cabeceira e conselheiro sentimental de Dilma em suas campanhas
vitoriosas, o que reforça o peso de sua delação premiada na Lava Jato, disse
que o uso de caixa 2 na campanha eleitoral da gerentona malvada de Lula em
2014 reforçou sua percepção de que os políticos brasileiros sofrem de
“amnésia moral”. Mais do que isso, o que não pode passar despercebido na
engenhosa narrativa é o movimento sub-reptício de transformar a corrupção
numa espécie de tradição cultural brasileira, para tombá-la judicialmente e
evitar a punição dos que caíram em tentação. Do ponto de vista penal, é o
mesmo que inocentar o goleiro Bruno do assassínio da mãe de seu filho, Eliza
Samudio, porque ele apenas teria imitado o exemplo de Caim, que matou o
irmão Abel.

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